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E T N O M A T E M Á T I C A :

IMPOSTURA     INTELECTUAL?

 

                                      Murilo Moreira Veras

 

Dentre os assuntos constantes do livro de ensaios “Ficções de um Gabinete Ocidental”, de autoria de Marco Luchesi, consta como parte do tópico “Poesia e Matemática”, especulações, muito pessoais, sobre uma  novel ciência chamada ETNOMATEMÁTICA. O nome teria sido cunhado pelo matemático brasileiro Ubiratan D”Ambrósio com que se propõe constituir uma nova ciência, originária da matemática. Seria uma espécie de filosofia da matemática ou meta-matemática. Seu conteúdo seria de uma ciência interdisciplinar, abarcando estudo das ciências de cognição, epistemologia, história, sociologia e difusão. Esclarece o sr. D’Ambrósio que a “etnomatemática” trata do conhecimento de fazer (es), saber (es), com vistas à sobrevivência humana, mediante técnicas (techné ou ticas), para explicar, conhecer, entender, defender, lidar com, conviver com (mátema) a realidade natural e sociocultural em que inserido o ser humano.”

Nos ensaios ali reunidos, Luchesi se desmancha em elogios ao cunhador da “etnomatemática”, considerando-o um gênio por ter aliado a matemática à poesia, ou vice-versa, a poesia à matemática – o que não é absolutamente novidade, basta ler os poemas de João Cabral de Melo Neto ou então os super-modernistas Augusto e Haroldo Campos, ambos influenciados talvez por Esra Pound.

Luchesi desenvolve toda uma pirotecnia cultural para demonstrar o grande mérito da nova ciência e elevar, no bojo de suas vênias, a capacidade e maestria de seu amigo D’Ambrósio. De sorte que o elogiando, ele próprio Luchesi se elogia, imodestamente. E o sr. D’Ambrósio torna-se um verdadeiro “seven-trompet-man” – sim, porque ninguém pode, seguindo o dito popular “chupar cana e comer os bagos ao mesmo tempo”. Infelizmente isso caracteriza o carreirismo literário.

Não sou absolutamente versado em matemática, mas é a primeira vez que tomo ciência do termo “etnomatemática”– isso não me desautoriza a especular sobre o assunto, expor o ponto de vista. Começa o “imbróglio” quando os srs. Luchesi e D’Ambrósio citam o nomes dos autores, escritores, envolvidos de alguma forma com essa “etnomatemática”: Lacan, Derrida, Foucault, Greimas e no Brasil, Paulo Freire e naturalmente D’Ambrósio e Luchesi. Ora, é sabido, pelo menos nos meios mais conservadores, que esses autores apresentam teorias esdrúxulas, incompreensíveis,  distorcendo conceitos e desenvolvendo reflexões muitas vezes taxadas de verdadeiros embuste ou falácias intelectuais. Foram eles, acrescidos de Tzvetan Todorov, Julia Kristeva, Jules Deleuse, Félix Guatari, Claude Lévi-Strauss, Roland Barthe, Julien Greimas, Émile Benveniste e Roman Jakobson, os articuladores do  chamado “estruturalismo”, movimento inspirado na linguística, originária de Ferdinand de Saussure em seu “Cours de Linguistique Général”, cuja proposta era entender a cultura humana dentro do contexto das estruturas sociais, políticas, econômicas, textuais, matemáticas etc., o qual, de sua vez, deu origem ao mais desconcertante de todas as teorias pos-modernas – o “desconstrutivismo”, defendido pelo filósofo Jacques Derrida.

Pela pluralidade dos campos em que atua, é fácil verificar que essa “etnomatemática” abriga na verdade um “saco-de-gato”– tal a pulverização de conceitos e atividades ali implicados, muito além de uma simples epistemologia dos conceitos e fundamentos matemáticos.

Nesse passo, alude-se ao célebre “Caso Sokal”  ou “Escândalo Sokal” da década de 1990, eclodido depois em 1996, quando o físico, Alan Sokal, professor de Física da Universidade de Nova York, publicou um “artigo-bomba” na revista Social Text, publicada pela Duke University Press. O artigo de Sokal apresentava um “paper” contendo conceitos e especulações à moda dos autores denominados “pós-modernos”, na verdade recheado de embustes, falsificações e nonsenses. A repercussão foi estrondosa nos meios intelectuais e acadêmicos. Mais tarde, em 1999, em parceria com outro físico belga da Universidade de Louvain,  Jean Briemont, a dupla Sokal & Briemont, publicou o livro “Imposturas Intelectuais”, editado no Brasil pela Record em 2006. Neste livro, verdadeira “bomba-de-efeito-retardado” nos meios intelectuais, os autores de maneira destemida analisam “... uma série de textos que ilustram as mistificações físico-matemáticas perpetradas por eruditos famosos como Jacques Lacan, Julia Kristeva, Luce Irigary, Bruno Latour, Jean Baudrillard, Gilles Deleuze, Félix Guatari, Paul Virilo e até Henri Bergson.

Será que essa ciência tão elogiada nos ensaios de Luchesi tem consistência ou não passa de mais um embuste, a ser incluído no rol de Sokal como “impostura intelectual”?  Luchesi e D’Ambrósio não fazem parte desses famosos “pós-modernos” escrutinados pelo físico americano?

Entrevemos, não há negar, recolhos interessantes nas observações de Luchesi, assim como nas teorizações de D’Ambrósio, quando fazem inter-relação entre a matemática e a poesia e vice-versa. Faz sentido, pois a matemática pura, que transita no terreno da filosofia, se abebera na poética e nos fundamentos filosóficos. Haja vista as especulações matemáticas dos grandes gênios como Pitágoras (570-498 aC.); Hypácia (360-415); Girolano Cardano (1.510l-1546); Isaac Newton (1643-1727); Leonard Euler (1.707-1783); Carl Friederich Gauss (1.777-1855); Georg Cantor (18454-1918); Paul Endös (1913-1996); Jorn Horton Conway (1937); Grigori Perelman (1966). Os grandes feitos matemáticas devem-se a fagulhas de transcendência e espiritualidade hauridas por seus realizadores, apartam-se, portanto, do empirismo relativista da mediocridade.

Afinal, o que é essa “etnomatemática”, com que ela lida? Ou não será apenas uma atividade emblemática, para não dizer um cadinho de sofismas sob rótulo científico – mais um movimento desses que mitificam e mistificam a realidade? Como o foi o “estruturalismo” e o “desconstrutuvismo”?

Ousemos algumas reflexões a respeito. Segundo seu “fundador”, sr. Ubiratan D’Ambróso – a etnomatemática é uma espécie de celeiro de ideias, reunindo atividades, trabalhando com conceitos. Daí sua multiplicidade de ações, razão por que apresenta as seguintes dimensões:

(a)  Conceitual    – seria o conhecimento pelo conhecimento;

(b) Histórica       – estudo da história de cada grupo ou sociedade,

                           com vistas a seus próprios saberes;

(c)   Epistemológica – estudo crítico dos princípios, hipóteses e resul-

                        tados das ciências – teoria do conhecimento;

(d) Cognitiva        – consiste em quantificar, comparar, explicar e                              generalizar a espécie humana;

(e)  Política            estuda as relações de poder com a valorização                              do saber e do fazer;

(f)   Educacional        produzir educação à luz do conhecimento,                                  elevando assim seu nível junto às nações,                                   comunidades ou sociedades.

 

São muitos os campos de atuação da novel ciência. Ultrapassa a própria filosofia, equiparando-se à “meta-filosofia”. Erige-se, a nosso ver,  espécie de Leviatã cultural, Pantagruel sagrado, invadindo com seus tentáculos os campos da sociologia, epistemologia, geopolítica, economia, historiografia, literatura, linguística – tudo sob a visão de uma matemática ideológica.

Sua atuação, obviamente, ultrapassa a engenharia, não só do saber, mas também do fazer, o “modus operandi” civilizacional.

Como fazer com que tamanho gigante opere numa comunidade incipiente, a nossa, onde os estudantes leem mal, são incapazes de raciocionar, escrevem péssimo, mal entendem os rudimentos da matemática, enquanto as escolas de sua vez são despreparadas, os professores mal formados – e o que é pior com um planejamento educacional totalmente corrompido que não corresponde à realidade, por ideológico?

É o que nos perguntamos diante dessa massa de informação incoerente que parece envolver a “etnomatemática”, que, se adotada, mais confunde do que esclarece, mais complica do que clarifica.

Ora, pois, o de que nossa sociedade precisa urgentemente não são os benefícios mágicos de uma nova ciência – que já temos ciência em demasia – mas, o de que precisamos, isto sim, é de que se tenha bom raciocínio, se cultivem boas dozes de bom senso, necessário tirocínio à realização de nossos construtos civilizatórios, sejamos mais criativos e, sobretudo, vontade de trabalhar, construir nosso mundo possível, olhando o agora e o amanhã.

O resto é o silêncio de nossa indigência espiritual, esta que nos fragiliza  corpo e alma – dando margem a que sofismas como esse da etnomatemática e outros desmandos ideológicos afins,  denigram de desesperança nosso horizonte axiológico.
Bsb.28.11.15

 























 A SAGA DO BRASIL SOCIALISTA

                                                     

·         Leônidas Canabrava

 


No mundo, já houve várias utopias. A Utopia de Thomas More, a Utopia da Cidade do Sol de Campanella – agora surge a mais nova, a utopia do Brasil Socialista ou Socializado,  à moda do político K, este fundador do Partido do Operário – PO.

O Brasil passa a ser regido pelo PO, responsável por implantar o socialismo de estado no País. O partido terá uma cúpula governativa chamada Câmara dos Operários do Poder – COP, que fará a gestão total. A chefia caberá ao homem nº 1 do PO, acumulando a função de presidente do partido e do País.

Os estados da Federação serão geridos por um Governador Operário indicado pelo partido, mediante meritória militância e tendo em vista os serviços que o elemento prestou. Os estados serão divididos em comunidades, para as quais será indicado um operário supervisor, chamado Operário Comunitário, que fará a fiscalização de cada região ou comunidade,  visando atender às necessidades dos moradores.

Para assegurar a total socialização do País, o COP, sob supervisão de instrutores de alto nível em matéria de socialismo, se incumbirá de redimensionar a economia e as finanças do Pais. O PNB — somatório de todos os bens e recursos da nação — será compartilhado equitativamente com todos os brasileiros, com o objetivo de erradicar, definitivamente a pobreza do País. Criar-se-á então um instrumento específico com esse objetivo, implantando-se concomitantemente a reforma agrária. Será o Movimento de Distribuição de Terras – MDT, responsável pela distribuição de terra a lavradores e pecuaristas, os quais ficarão sob sua tutela. Para solucionar o problema da moradia, agirá o Movimento da Casa Própria – MCP, confiscando-se quem tem mais de uma, para dá-la a quem não tem. O  objetivo é equalizar bens e  riqueza, mediante redistribuição equitativa de seus cômputos, evitando-se o monopólio, tanto de bens quanto de riquezas, como soe ocorrer no capitalismo, tudo em consonância com a perspectiva do genial seguidor de Gramsci, o economista francês Thomas Piketty. Tais iniciativas objetivam evitar, de uma vez por toda, o reaparecimento do capitalismo, que, assim, será totalmente erradicado.

A implantação sumaria do socialismo no País será consumada pelas ações do PO e do COP, para o que contarão com o auxílio estratégico e logístico do Exército Brasileiro, que, doravante, se denominará Exército Nacional do Povo.

Quem será beneficiado com a socialização do Brasil é o povo, incluso neste os mais necessitados, os sem terra e sem tetos, os quais, doravante, serão todos atendidos, acabando-se finalmente com a fome e a miséria no País. Só assim o brasileiro terá o que comer e onde morar. A competição e a exploração serão totalmente eliminadas da economia. Dar-se-á prioridade à educação, desde que orientada diretamente pelo Departamento de Cultura Popular – DCP, eliminando-se qualquer manifestação cultural ou educativa que não traga benefícios ou não estimulem o incremento do socialismo no Pais.

As profissões funcionarão em favor do regime, da mesma forma a saúde, criando-se os monitores respectivos a cada atividade, os Operários da Educação, da Saúde, do Ensino e assim sucessivamente.

Com a socialização do Brasil, cumprir-se-á o surgimento de mais uma Utopia — a utopia fundada e desenvolvida pelo gênio brasileiro da espécie, o Sr. K, que, por sua vez, inspirou-se nos mais importantes lideres da atualidade: o jurássico Fidel Castro, o já falecido sargentão Hugo Chaves e o caminhoneiro Maduro.

No mais, é pedir a intervenção divina, diante de tanta devastação no País, já deteriorado por Mensalões, Petrolões e outros diabólicos quejandos infelicitatórios.

Bsb, 25.02.15

Jornalista cultural e cronista, nosso colaborador  

 


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