CAMINHO DAS LETRAS

"O que me incomoda não é o grito dos maus, e sim, o silêncio dos bons" (Martin Luther King)

POESIAS

FORMAS DE AMOR NAS RELAÇÕES HUMANAS
Gilberto Veras 
Com o cônjuge:
o amor estabelece harmonia de paixão,
companheirismo, renúncias e compreensão.
Com o filho:
convive em carinho, zelo, apreensão,
vigilância, medo e educação.
Com o irmão:
navega em encontros e desencontros,
brincadeira e seriedade,
madureza e futilidade. 
Com o amigo:
abraça-se em admiração,
auxílio, saudade,
fraternidade e consideração,
Com o inimigo:
protege-se no distanciamento prudente
e vibra com oração clemente.
Com a mãe:
é simplesmente amor,
não se altera por sentimentos outros,
ama e nada mais,
qualquer sensação vivida transforma-se em paz,
tem nosso perdão saneador no entendimento,
na maciez da carícia,
na leveza da pureza
e na negação da malícia.
 
Parabéns, abençoadas mães!
Nosso colaborador, poeta e escritor residente em Fortaleza
  CDL/BSB, 6.05.12

 


LUA  GRANDE

 

 

 
                            
                       * Gilberto Veras

 
Aparece a Lua no este,
redondamente soberba,
crescida e de rara beleza,
mais prata do que a própria prata.
Devagarzinho rompe nuvens insensíveis,
desvencilha-se imponente,
a marcha é inexorável,
e
neste momento de ocaso sobe mais lenta,
revela-se a olhos poéticos
que veem mais além e apagam imagens outras,
circundantes.
Abrem-se sentimentos nobres vividos em outras épocas,
ricas de singeleza, amor e fraternidade.
O pensamento voa em direção ao satélite cheio de luz suave,
e encanta-se de lá ao ver,
majestoso e sincronizado,
o Sol esconder-se no oeste em luz laranja,
para evitar escuridão total no planeta azul,
palco de lamentáveis contrastes.
O branco da paz é percebido na fala muda,
serena e bondosa do Criador empenhado
na Felicidade dos homens.

 
Os amorosos e poetas agradecem.

 
Salve, Salve!

 
* Nosso colaborador em Fortaleza, escritor, poeta espiritualista
 

 

 

O QUE É O NATAL?
O NATAL É O NATAL

                                        

 

* Murilo Moreira Veras

O que é o Natal, perguntas-me,
ó inquieta criatura.
O Natal não é só uma festa universal,
é um estado de espírito.
Direi mais: celebração estratégica
da razão interior.
Vês, ali está o Menino,
numa manjedoura, a seu lado
Maria, a Mãe e José, o Pai.
O Anjo anuncia que Jesus nasceu,
bois e ovelhas acompanham o evento.
Com seu olhar iluminado
emoldurando o Céu,
a Estrela formaliza o instante,
silente toda a natureza.
O mundo em ecumênica teofania.
De repente a vida se transforma,
as pessoas parecem imbuir-se de
sentimentos,
um silêncio cósmico nos invade
o ser.
Vês, teu coração não se contenta apenas
como coração,
agora é também fonte viva de alegria,
tua alma volta a brincar de sonho,
a infância te roubando o pranto
e os teus lábios, à malícia suscetíveis,
se abrem para abrigar a ternura da flor
rejuvenescendo.
Mas se um irrequieto travo de amargor
ainda povoa teu espírito, não te perturbes
que a magia do Natal te aliviará a mente.
Não vês? O coração de cada um agora
abriga uma Manjedoura e nela
o Menino é a Graça adormecida
que te enche de esperança.
a Mãe, que adormece o infante no improvisado
leito,
é o Amor que te transborda o Ser,
o Pai, a segurança que te alivia o vendaval
da vida,
enquanto lá fora, no seu limiar,
o tempo voraz vai eternizando o mundo.
O Anjo e a Estrela mantêm-te sempre alerta,
para que não te esqueças:
cada dia um novo Natal renasce
nos teus sonhos, nesse teu trilhar indócil,
como a revelar esse grande misterioso
labirinto que se chama vida.
O que é o Natal?
Eu te respondo, inconsútil:
o Natal é isto – o Nascimento Crístico do
Mundo.

 

 

NATAL - 2011


 

VIGÍLIA

                                        * Argemiro José Cardoso

       VIGÍLIA

           

Uma canção durante a vigília

Cantei para minha alma vadia.

Chamei a felicidade que se ia

Fixei a esperança que se esparzia

 

No umbral de a eternidade

Para onde minha vida se dirigia

Abri os olhos na noite, fechei-os no dia

Para não ver a esquiva felicidade

Que de mim se evadia...

 

Quis com a ingenuidade

De quem pensava que vivia

Juntar flores, guardar saudade

Ignorando que então morria.

 

Oh! E sinto a impropriedade

De tudo que acontecia

Pois, aqui na eternidade

Sabe-se: a vida é fantasia.

 

*Poeta, escritor, nosso colaborador eventual

       recentemente falecido

CDL/BSB, 3.12.11


A VINHA DO SENHOR O SENHOR DA VINHA

                                        * Murilo Moreira Veras

  Vinha do Senhor

ou Senhor da Vinha?

Se não é a Vinha é o Senhor,

se não é o Senhor é a vinha

– a Vinha do Senhor.

A vinha precisa de trabalhadores.

Trabalhadores precisam trabalhar na vinha.

O Senhor está contratando operários

para Sua vinha.

Uma vinha não produz,

se não tiver operários.

São os operários que fazem produzir vinho

– o vinho da Vinha

ou o vinho dos Homens?

Os operários da Vinha recebem

de acordo com o que precisam,

não pelo tempo trabalhado.

Ao fim do dia, todos receberão uma moeda de prata,

tanto os primeiros quanto os últimos

– a medida de justiça é a necessidade de cada um.

Os primeiros são os últimos recompensados,

os últimos são primeiros admitidos.

Quem diz que o padrão de justiça

seja o metal sonante para todos?

Na Vinha do Senhor, o pagamento se transforma

em dívida solidária, as moedas de troca o amor

e a esperança.

O Senhor da Vinha remunera do mesmo jeito e

da mesma forma os operários que a fazem produzir,

a moeda que usa é a graça,

que Ele distribui a cada operário

que de sua graça precise,

– recompensa àqueles que trabalhem bem pela Vinha

e saibam multiplicar o vinho extraído dela,

da Vinha do Senhor.

A Vinha do Senhor precisa produzir vinho em abundância.

Nós somos todos operários da Vinha do Senhor.

O Senhor paga a todos com a mesma moeda:

a moeda da esperança na Salvação.

 BSB, 20.09.11


CORPO E ALMA

                                        * Gilberto Veras

 Solidários, juntam-se os dois.

A finalidade é o aperfeiçoamento,

tanto de um como da outra,

diverge apenas no modo.

A alma é imortal,

avança lentamente

(os passos ocorrem com os acertos),

e paralisa com escolhas infelizes,

resistentes ao chamamento superior.

O corpo perece.

Em vida, reveste a alma e viabiliza-lhe projetos temporários

bcom fins ascensionais.

Com relação ao tempo, na experiência conjunta de uma com o outro,

os comportamentos também não são iguais.

O invólucro corpóreo se desenvolve a partir do nascimento até a idade adulta,

quando a capacidade realizadora alcança culminância na maturidade,

em seguida inicia-se o declínio até a morte com o esgotamento da força vital,

é engenhoso que assim seja para que a alma aproveite os prazeres da vida física apenas como aprendizado e

incentivo às boas obras, nunca como excessos sedutores de frutos nocivos (Bondade da Inteligência Suprema).

Na alma nunca acontece o processo involutivo,

sua caminhada é sempre progressiva,

esteja contida ou emancipada.

Sofre ela influência do corpo a que está ligada,

e os efeitos são variados, podem ser confortáveis ou desesperadores.

Se consciente de sua realidade,

a esperança, a fé e a certeza do porvir melhorado estão sempre aquecidas. Naquela cuja visão está circunscrita

à vida terrena, o pensamento não rompe as fronteiras da materialidade, e a angústia do impedimento de

realizações dantes deliciadas causa-lhe desconfortos perturbadores. Como nada percebe além, é atormentada pelo

desespero da morte.

Com a alma convicta da imortalidade,

a consciência registra entendimentos outros,

obtidos das verdades divinas,

e as perspectivas são cada vez mais alentadoras,

porque o horizonte se lhe apresenta com beleza crescente e sem fim,

para que se estabeleça a luz gloriosa da Felicidade Perenizada,

no Reino dos Céus.

* Poeta de veia espiritualista, nosso colaborador em Fortaleza

 CDK/BSB, 09.09.11


O QUE É CORPO O QUE É ALMA

                                        *José Agostinho Platão

  Quem sabe dizer o que é corpo

o que é alma

– se o corpo não vive sem a alma

e a alma sem seu corpo?

O corpo não é o invólucro da alma

e a alma o elã que dá vida ao corpo?

Corpo e alma é como vida e sopro:

se imbricam, se entrelaçam.

Se morre o corpo, sobrevive a alma

como seu lume, sua estrela,

uma energia que retorna para o seio cósmico,

o Grande Enigma.

O corpo humano é a matéria que recebe

a essência energizadora da alma.

Amálgama de corpo e alma, o ser humano

é o resultado da energia vital contida

nos trilhões de neurônios de seu cérebro.

Este, sim, o cérebro, é a fornalha da vida,

de ação, vontade e pensamento.

Por isso ele é único, o cérebro, fábrica da alma,

a alma, eternidade do corpo.

Eternizada e eternizante, a alma é não só única

no corpo: ela é irreversível, não retorna

porque conectada ao Cosmo,

à Consciência Divina.

O retorno da alma desabilita a fornalha cerebral,

é um desvio apócrifo do pensamento

como estatuto polígrafo do cérebro.

O ser humano – alma e corpo – estão

gravados para sempre na Mente de Deus.

* Filósofo e poeta de linha existencialista, colaborador eventual

 CDK/BSB, 09.09.11


MODUS VIVENDI

                                        * Gilberto Veras

 
N
ão desejo ser endeusado como ídolo,

que se distancia da igualdade cooperativa.

Quero transmitir a simplicidade fraterna do irmão,

que iguala todos em aprendizado mútuo,

produtivo e renovador.

Não quero ser discriminado como inteligente,

a inteligência é faculdade comum a todos e

recurso progressista com poder particular,

conquistado por cada um.

Conforta-me a denominação de esclarecido,

que acrescenta ao inteligente o

movimento avante,

não encontrado no ignorante.

Não me apraz o uso do verbo fluente

com o coração mentiroso,

essa pregação é válida,

mas apenas para o ouvinte.

Busco sempre a comunicação sincera,

que detém a capacidade de

beneficiar comunicante e receptor.

Não desenvolvo a pretensão descabida de

consertar defeitos do outro.

Dedico apenas a mim mesmo

o esforço moral com fins corretivos,

porque convencido estou de que

transformação pessoal ocorre em casa íntima,

inacessível ao semelhante,

por maior que seja a boa vontade

(fortalecer o irmão com ensinamentos é dever,

querer usar instrumentos de que não dispõe

é ilusória insensatez)

Não me encanta o bonito,

que o tempo,

impiedoso,

transforma em feio.

Embevece-me o belo,

que se aprimora por toda a eternidade.

Os prazeres mundanos me assustam,

porque são efêmeros e

excitam comportamentos egoísticos.

Prefiro a serenidade da paz ao compartilhar

com o próximo

o efeito agradabilíssimo do bem,

cuja sensação nos fortalece e motiva,

em marcha evolutiva interminável.

Não me contento com o conhecimento teórico,

que é necessário, mas não suficiente.

Completa-me a vivência do saber,

porque consagra de modo indelével o aprendizado.

Escolhi a humildade no meu modus vivendi com o semelhante,

porque entendo essa postura alinhada com a lei do progresso

e não tem qualquer relação com

o rebaixamento comportamental sistemático,

vinculado à subserviência desprezível

(humildade é a submissão consciente aos planos divinos).

No curso ininterrupto da vida,

o papel de pai agrada-me muito mais do que o de filho,

porque o pai vive a experiência de criador,

com o dever determinante de educar e exemplificar,

já o filho  é obra principiante cuja conclusão,

seja gloriosa ou não,

recebe forte influência do pai.

Pais bem assumidos educam filhos bons que,

por sua vez,

são formados em pais competentes,

na roda viva das Universidades Existenciais.



Feliz dia dos Pais.

* Poeta e escritor de veia espiritualista, nosso colaborador  

 CDK/BSB, 13.08.11

 

 


CORAGEM E COVARDIA

                                        * Gilberto Veras

 Coragem não é partir para a ignorância,

agredir, bater e ferir,

física ou moralmente,

no estúpido entendimento de que pode tudo.

Coragem é reconhecer a bondade de Deus,

na hora da prova crucial,

da dor atroz e

do prenúncio da desgraça,

mantendo a calma e a resignação,

com fé e esperança.

Esta conduta recebe a recompensa divina,

permite,

ao mesmo tempo,

superação da causa desagradável e

o aprimoramento da alma,

que,

crescida,

se fortalece em razão e sentimentos elevados.

O Pai da Vida nada tem a oferecer ao covarde que,

por desesperos e lamúrias,

ou,

iludido com poderes efêmeros,

desacredita na perfeição de Sua Lei de amor, justiça e caridade.

 

* Escritor e poeta de veia espiritualista, nosso colaborador.

 

BSB,28.07.11                                                  


 MÃES – O QUE SERÍAMOS NÓS SEM ELAS?

                                        *Murilo Moreira Veras

 

O que seríamos nós sem elas?

Não foi ela quem nos deu à luz?

Não foi ela quem nos criou,

nos amamentou,

nos ensinou a dar os primeiros passos,

e talvez as primeiras letras?

Mães – como não louvar nossas mães,

todas as mães,

se elas nos contemplam, a nós, seus filhos,

pelo espelho de sua melíflua bondade?

Mãe não quer dizer maternidade,

materna humanidade,

inalienável amor de mãe,

na mãe de inalienável amor?

O que seria de nós – homens e mulheres,

crianças e adultos, pobres e ricos,

governantes e governados –

se não tivéssemos mães, nossas mães?

Não seríamos quais peregrinos sem lar

e sem destino?

Não veríamos o rio de nossas vidas

estagnar-se no mesmo fluir?

E o sol de nossas razões

não se toldariam de ínvias e negras nuvens?

Alçaríamos os olhos às estrelas,

se as mães não nos erguessem os pés do chão?

O que seríamos, sem elas, nossas benignas mães?

Autômatos? Fantoches? Infantis?

Ou solitários? Fanfarrões? Ególatras?

Sem elas, essas infatigáveis criaturas,

quem nos afagaria tão doce o coração?

quem nos curaria das rudes decepções?

quem nos amaria tanto em troca

apenas de uma simples bendição?  

Mães, esses anjos de carne e osso

que nos protegem até mesmo em sonho,

em cujo abrigo todos nós nos colocamos.

Mães, nossas mães, todas as mães do mundo,

sois e serás sempre o lume de nossas vidas.

O que seria de nós, Amigos,

se não contássemos com esse incrível ser

que se chama Mãe?                                                 

                                                               Bsb,8.04.10

 


 

TRIBUTO   LIZ  TAYLOR


*
Murilo Moreira Veras

Cleópatra rediviva?
Não está mais entre nós.
Elizabeth Taylor faleceu.
Quantos sonhos tivestes,
quantas vidas imitastes,
quantos personagens representastes
nas telas de nossos anseios,
quantas paixões não inspiraram
aqueles teus olhos violetas,
quanta volúpia teu ígneo corpo não instigou.
Instinto de víbora,
um frágil Fisher enlouqueceste,
assim como um árido Todd e um ébrio Burton,
todos enleados na tua louca sedução.
Como resistir tão insidiosos encantos,
esses teus olhos violáceos de emoção?
Adeus, pequena grande Liz Taylor,
apenas desapareceste:
voaste para o Panteon Celeste
- de Vênus, Ires e Ceres -
agora figuras entre as Divas Imortais.


Bsb, 12.04.11


E X T E R M Í N I O

* Roberto Del’Secchi

Mãos assassinas, enluvadas de negro,
A serviço da morte!
Violam todos os direitos humanos e religiosos.
Desconhecem de Deus o 5º mandamento;
Não matarás!
Como de um animal tiram todos os filhos,
aos poucos ou todos de uma só vez.
Na agonia a mãe nada pode fazer,
atônita imóvel fica.
Como Maria, com o filho ao descer da cruz
deita no colo insepulto, repousando
no ventre, o mesmo que formou e deu-lhe luz.
A noite longa parece não passar...
Na sombra do anonimato, assassinos covardes, Cumpliciados com desgovernos, aliados à impunidade. Pior que seja o erro, o castigo a vingança... a vida só a Deus cabe dar e tirar!
Nada adianta, não tem retorno àqueles que foram sacrificados. E assim por diante outros lares, Serão invadidos, outros seres serão arrancados, Abatidos, torturados e nas valas pútridas serão encontrados.
Com os olhos comidos, arregalados ao céu, exclamando: Existe Deus? Por que, tanta crueldade?
Novos parentes irão chorar por eles. Que bandeira vai servir de mortalha? Que terra essa, serão sepultados?
Onde estão os políticos, os direitos humanos, os intelectuais, os arautos da justiça? Poetas brasileiros chorem, cantem nos seus cânticos sentidos, digam não a tanta desumanidade!!!

* Poema inspirado na extrema dor do poeta e antologista, quando, em 1989, perdeu o filho Ramiro Del’Secchi sequestrado e assassinado.

Bsb, 23.03.11


O SILÊNCIO EXTREMO

* Everaldo Moreira Veras

O silêncio é rápido
rebrilha
retrilha
é mais afiado que a lâmina da navalha

vou fazendo o refúgio
contra as palavras
através do calar sem descendentes

não reclamo
não conclamo
não desamo
que o grito é universal
faço questão de dizer:
a voz é rouca

está paralizada a força do terremoto
para quando um dia
à luz clara da manhã
reaparecer a bandeira da liberdade


não mais servirão outras coisas
para esconder a desgraça
do calarabsoluto
(o canto sufocado e mudo)

meu silêncio é único e poderoso
maior do que todos os massacres.

* Poeta, escritor, radicado em Recife, recém-falecido. nosso ex-colaborador.

 

Bsb, 24.01.11

 

O MENINO JESUS

* Marília Muniz Veras

O MENINO JESUS NASCEU
Uma estrela como guia,
Ilumina o caminho dos Reis Magos
A missão tão almejada
A certeza de um mundo melhor
O menino Jesus é bem aventurado
A sua chegada é comemorada com alegria
É a celebração da vida
A paz é idealizada
A missão do messias é fortalecida.



Eu sou a verdade e a vida
O MENINO JESUS É O MENSAGEIRO
No sermão da montanha,
As mensagens são amorosas
Os medos são apaziguados
Milagres se multiplicam
A multidão sofrida
Agradece com fé
As bênçãos oferecidas.

Ama teu próximo como a ti mesmo
O MENINO JESUS VIVE
Nos milagres de cada dia,
Está em qualquer lugar
De passagem ou despedida
No caos ou no equilíbrio
Na palavra ou no silêncio
Nas trevas ou na luz
Na culpa ou no perdão
A fé é sacrificada
A traição anunciada
é a certeza de seu destino.

Eu sou o filho de Deus
O MENINO JESUS MORRE
Recolhe-se no sonho enfraquecido,
No silêncio permanece amordaçado
Transfigurado e censurado
É condenado e crucificado.


 

Por que me abandonaste?
O MENINO JESUS RESSUSCITA
A vida é celebrada na eternidade,
Uma nova vida
Em cada ser vivo
Na plenitude da Fé.
Felizes são os que não veem e, no entanto, creem.

 

* Psicóloga clínica, poeta, nossa colabora eventual

 


O SER DO ENTE APOSENTADO, COMO É?

Murilo Moreira Veras


O
ser aposentado em sua essência

– como é?

Por que nos retiramos da vida,

se a vida não nos retira

do mundo?

Deixamos o trabalho,

por acaso deixamos de viver?

trilhar,

sorrir,

sofrer

amar?

O que é isto – ser aposentado ou aposentada,

o trabalhador, a trabalhadora,

o empregador, o empregado,

o criado e o patrão,

o profissional e o vigarista?

Aposentam-se todos,

por que? para que?

Sentar-se no cume do Everest

e sonhar com os tesouros achados de Ali Babá?

Aposentou-se o amigo, a amiga,

tomou seu boné, vai pra casa, escutar rádio,

ver TV, bisbilhotar nas ruas, zanzar pelos bares,

beber, resfolegar, levar netos a colégios,

brincar, sorrir, viajar, andar a toa, tocar violão,

ir ao shopping,  ao cinema, ler um livro.

 Só?

Ledo engano, você aposentando,  ou aposentado

que passou de aposentando.

Só?

Eu vo-lo digo, sem pejo e firmeza absoluta:

aposentado é um estado não um gênero ou uma espécie.

O aposentado é um germe já fermentado,

uma semente que já brotou, floresceu e frutificou, 

um lúcido olhar sobre o áspero espelho do mundo.

Um viandante porque atado

a atávicos anseios.

O que levas no alforje, ó andarilho

de pórticos e eólicas encruzilhadas?

ares, dores, sombras e luzes,

cantares ou sofreres de amor e encanto?

O borbulhar da vida, o maquinar do mundo.

Outrora solo, hoje uma cantata de esperança.

Se tens armas, ensarilha-a na tua alma,

se tens sede, sacia-te de sonhos.

Combate, sim, o melhor combate,

não o refúgio dos sátrapas e dos saltimbancos.

No pântano, colhe o lírio

e persegue o lume da estrela.

Cumpre, valida o teu destino,

porque o aposentado, nobres senhores do mundo,

é uma maneira diferente de ser,

um estado metafísico de

viver.

– Sobreviverás?

Bsb, 26.10.10


EM TODA PARTE TODA POESIA

* Telêmaco de Sá

O
poeta diz:
Em alguma parte alguma
poesia há
mas só em alguma parte alguma
como se possível alguma parte ter alguma coisa
se poesia não há em parte alguma
ora se em alguma parte poesia não há
nenhuma poesia em parte alguma se dará
como alguma coisa em parte alguma há
alguma poesia em alguma parte
ocorrerá

só não se sabe
em que parte alguma poesia se fará
pois em alguma outra parte
nenhuma poesia


por isso eu digo ao poeta:
em toda parte alguma poesia
haverá
em toda parte toda
– em tudo há poesia
pois em toda qualquer parte
a poesia sempre nascerá.

* Poeta, contista, nosso colaborador
CDL/BSB, 16.09.10


POEMA DOS PORQUÊS OU
DAS SÚBITAS DESPEDIDAS


Murilo Moreira Veras


Por que parece tão ilusória essa vida,
nossos atos testemunham atenção tão longínqua,
como mergulhássemos nos mais ásperos instantes
de um tempo ignoto,
infenso às dores do Mundo?
Por que a verdade nos amedronta tanto o espírito
e dela fugimos, mesmo sabendo o que nos causa
sua ausência
de angústia e solidão?
Por que nos preocupa tanto a matéria com que se fazem
as coisas,
se são as estrelas que nos fazem alçar a escada
da transcendência
pois não buscamos nelas a nossa própria essência?
Se afeitos à luz, por que de repente
sucumbimos ao que a esperança
nos propicia?
O que pretendemos, enfim, a percepção iluminada,
ou o vazio do pântano?
Olhar para trás, por que e para que? o retorno nos
tornará estátuas de sal
de um passado
talvez em ruínas.
Renunciamos às blandícias de nosso íntimo céu,
por que agora ficarmos à mercê da ilusão externa,
que nos cega,
nos pesa a alma,
cheia de demandas
impertinentes?
Por que não trocar a penumbra desta noite,
se o dia que nascerá manhã
clareará nossos caminhos,
nos proverá de desejos mais puros
e simples?
Para nós, míseros mortais, o que é melhor,
o véu das sombras
ou o sol da verdade que um coração recita?

Vão-se nossos amigos, as lembranças se eternizam
ou esvaem-se,
o coração sangra
violando a solidariedade da dor.
Onde estão os meus sonhos, os teus sonhos,
os nossos sonhos, eu vo-los direi:
escondem-se no redil
de nosso interior,
no mistério da tua alma,
no coração do mundo.
É o invólucro da sabedoria que não nos deixa cair,
nos sustenta, nos alimenta,
em nossas trilhas.

Os Amigos, se foram,
– só nos resta viver, o que eles sonharam
e sonhar com o que eles não conseguiram viver.

Bsb, 23.08.10

Imprima esta página! | Recomende esta página!

contador de visitas
Nº de visitas desde 2000

Webmaster | Contato | ©2000 - 2010 Caminho das Letras