EDITORIAL
NOVA ORDEM MUNDIAL : INTERVENÇÃO E LIBERDADE,
SOLUÇÕES E CONFLITOS – A RAZÃO OUSARÁ?
Iniciar de 2012, século XXI, as forças naturais em devaneio homérico, esse compartilhar de ações e emoções. Tudo a acontecer, um vendaval de ocorrências, vistas e revistas, o mundo parece revolver-se, enquanto colhem-se e recolhem-se notícias certas, verídicas, outras incongruentes, absurdas. Atos denunciatórios e reivindicatórios sobrecarregam as mídias, o mundo mulçumano convulsiona, desastres e fiascos frutificam sempre resultantes dos desacertos das finanças e economias assolando a zona do euro.
Até um transatlântico de última geração faz reviver a tragédia do Titanic, ao colidir com rochas submarinas nas costas italianas. Águas passadas, sim, parecem mover moinhos. Teorias e pensamentos criam forças, revalidam-se diante do atual cenário internacional, no mínimo exótico.
No nosso continente americano, Barack Obama luta por garantir-se no segundo mandato à frente dos Estados Unidos, à medida que os republicanos se digladiam no âmbito das pré-candidaturas, insultos e descontroles irracionais.
Nesse ínterim, anuncia-se Nova Ordem Mundial e certo professor da Universidade de Stanford, EUA, Thomas C. Heller, em entrevista à revista VEJA em 11.01.12, diz que será verde, ora e vez dos ambientalistas da sustentabilidade internacional, aposta nem tanto nas máquinas estatais, mas no tirocínio privado, profetiza o guru verde.
Inobstante algumas de suas e afirmações estarem corretas e se afigurarem viáveis, outras se mostram incongruentes. Como a de que a nova ordemserá liderada pelas nações emergentes – Brasil, Índia e China. Padece de certeza, posto que são nações cada uma delas problemáticas. Nosso país, às voltas com corrupção endêmica, finanças aparentemente equilibradas, mas péssima distribuição de renda per-capita e sistema educacional com índice ainda baixíssimo, a par de um rosário de outras deficiências básicas. Louve-se o agronegócio que sustenta o rincão pátrio, para o qual políticos levianos querem que se sustente num pré sal evocatório, espécie de El Dourado paradisíaco que logo nos colocará no ranking nº 1 das nações superdesenvolvidas.
Quem liderará o mundo de amanhã? Brasileiros, indianos, chineses? O que acontecerá com os Estados Unidos, perderá sua hegemonia, para o Japão ou para a China emergente, cujo índice de desenvolvimento bateu ano passado 9%, a maior taxa do mundo?
A tal Nova Ordem Mundial de que tanto se fala e nosso suposto guru alardeia a quatro ventos, não é verde, nem amarelo, azul ou branca – mas de todas as cores, melhor sua cor verdadeira seria a da razão.
A esse propósito vem-nos à baila a cobro da intuição, até mesmo natural, as proposituras de uma vetusta teoria econômica – que a Inteligência dos cléricos modernos donos da ciência econômica consideravam já sepultas. Eis que seus princípios sabiamente se revalidam pelo simples fato de se demonstrarem válidos e aplicáveis à situação de descalabro em que se acham as finanças internacionais. Trata-se nada menos que do ideário da Escola Austríaca, fundada por autênticos pioneiros, visionários da liberdade de pensamento e do autêntico personalismo. Sábios e estrategistas inigualáveis, comoCarl Menger, Eugen von Böhm, Ludwig von Muses e Fiederik Rayek. Esses monumentos da expressão libertária econômica e filosófica se emprenharam pela aplicação de princípios humanísticos e personalistas também na economia pelos quais, se aceitos e postos em práticas, certamente se constituiriam na solução dos graves problemas atuais por que passa o mundo, as nações em estado de pré falência, o ser humano com procedimentos acéfalos e autodestrutivos.
Oxalá as idéias primordiais da Escola Austríaca ganhem foros de aplicação imediata, para reorganizar as nações e a reboque dos benefícios trazidos, também o homo sapiens sapiens reconheça-se como ser cuja imanência se funda na sua ação consciente de transcendentalidade.
EDITORIAL NESTE FIM DE ANO, QUE VIVA A REPÚBLICA DAS LETRAS,
Em artigo publicado no nº 12 da antiga Revista
do Brasil, de junho de 1939, o crítico literário Tristão
de Ataíde (pseudônimo de Alceu de Amoroso Lima), lembrou que com o
desaparecimento de Machado de Assis, perdia-se “... um
dos maiores dos nossos críticos.” No comentário ele assinala que o
grande sonho do genial criador de Dom
Casmurro e Obras
Póstumas de Brás Cuba era
criar, para a literatura, um regime, similar à democracia política, a
que ele, Machado, designou República das Letras.
Semelhante a de Platão, antes da era crística, Machado delineou, para
si, para os outros
escritores de seu tempo e os
pósteros – os estatutos de
uma verdadeira arte literária. Espécie de paradigma pelo qual a
literatura pulsaria com mais vigor, premiando o esforço, o arrojo e a
criatividade dos que lhe obedecessem as regras.
A República machadiana, como a política, dividia-se
em três poderes: o Legislativo,
constituídos pelos clássicos, pela Tradição, pelas “leis poéticas” e
pela Gramática; oExecutivo exercido
pelos autores, poetas e prosadores; e oJudiciário, ficaria a
cargo dos críticos. Esses poderes eram harmônicos e de seu equilíbrio
dependeriam a paz e o progresso das letras.
Imaginem se a República das Letras
realmente prevalecesse em nossos dias e influenciasse, como deveria,
sobre nosso sistema educacional, ao nos depararmos com as atuais
deficiências da escola, os estudantes a se defrontarem com os sofismas de
avaliações oficiais insensatas, cujos erros substanciais acabam por
sucatear ainda mais a educação, deflagrando uma espécie de robotização
do educando.
Invoquemos, pois, a vetusta, mas inda assim
inovadora República das Letras de nosso genial escritor carioca.
Cometamos este pecado dentro
dessa farisaica estrutura de ensino que aflige nossos estudantes. Talvez
lográssemos evitar surgisse uma enxurrada de escritores ineptos cuja
escritura apela para a falta de sentido e bom gosto, o verbosismo, vezos
que contaminam a literatura de nosso tempo. Tudo porque não lhes
ensinaram, na escola, como escrever bem, concatenar as ideias, e,
principalmente ter amor à língua que herdaram.
E nesse lusco-fusco de ano, num mundo
totalmente em desalinho, onde permeiam a insegurança, econômica e
social, quando nos deparamos com os descalabros financeiros, atropelando
as nações, Portugal, Grécia e Itália, esse rebuliço todo de mudanças
políticas, sob revoltas violentas e até fomentadoras de massacres,
ante as inesperadas quedas de grandes ditadores, como no Iraque,
na Líbia e noutras regiões desejosas de liberdade – é que verificamos o
quanto de interessante e acolhedor se afigura
nos voltarmos para a literatura, escutarmos a voz dos grandes
escritores, recordarmos como eles imaginam o mundo, a visão interior, a
emoção dos personagens respirando a beleza ou a podridão das vidas que
escolheram ou lhes foi imposta.
Na República das Letras, como na de Platão,
o escritor sabe auscultar a
beleza e deixa se contaminar da bondade ao observar a ética. Ela, a
República das Letras, certamente não ousaria salvar o mundo nem libertar
os homens de suas tentações e alucinações pantagruélicas, mas
resguardaria, sim, a linguagem, depurando-a de seus jogos lúdicos e
traiçoeiros, o que, no mínimo, contribuiria para a clareza da
comunicação.
É nesse sentido, com fulcro nessa ideia que
na ABACE, associação dos aposentados do Banco Central, despertamos há
mais de um ano para uma
iniciativa, que não é absolutamente nova, mas, altamente reconfortante –
oClube do Livro, um cenáculo de amigos que se reúne para
ler livros, livros que são escolhidos democraticamente e, depois
debatidos, à exaustão possível.
Creiam-me. No mundo atual, os seres humanos
– que nos supomos livres e indóceis – temos cada vez mais nossos
cérebros acrescidos de mais um bip de tecnologia
e informação. O que temos de fazer, como antídoto a tanta massificação é
ler e ler muito. E não nos esqueçamos de nos tornar imediatamente
cidadãos da República das
Letras, antes que outro admirável mundo novo nos faça prisioneiros,
aí, sim, o livro será
suprimido e Machado de Assis e todos aqueles que o sigam na
sua arte, nativos ou
estrangeiros, serão tragados pelo abismo do esquecimento.
A ÉTICA LITERÁRIA CIDADÃ, O QUE É BELO E BOM COMPARTILHADO
CDL/BSB, 01.11.11
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