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"Não ceda ao mal, mas continua cada vez mais corajosamente contra ele" ( Virgílio, Livro VI de sua epopéia Eneida)

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O PREÇO DE UM HOMEM

“The Naked Spur” – EUA, 1953 – Direção: Anthony Mann – Elenco: James Stewart, Janet Leigh, Robert Ryan, Ralph Meeker, Milland Mitchell Leonard Maltin, crítico  de cinema e editor do maior dicionário de filmes do mundo, classificou este filme como um dos melhores western já feito em Hollywood. Inobstante, deu-lhe 3 estrelas e meio.

 

Não lhe tiramos a razão. Temos vistos outros westerns, inclusive consideradas como obras primas. Atores fantásticos que se notabilizaram no gênero, dentre os quais citamos Tom Mix, Joel McCrea, Freddy McMurray, Gary Cooper Robert Taylor, Randolph Scott,  Heny Fonda, John Waine, Robert Mitchum, Jack Palance, Gregory Peck, Clint Westwood.Mas, damos a mão palmatória quando se trata de James Stewart. Ele, mais do que qualquer outro soube encarnar a personalidade de um cow-boy, isto é, representar o papel do verdadeiro gun-fighter, seu maneirismo, até na maneira enrolada do falar do homem texano.

 

O Preço de um Homem”, originalmente em inglês“The Naked Spur” é um western diferente, talvez o que mais explora o lado psicológico dos westerns, americanos principalmente, pois descartamos os chamados “westerns spaguetti”, pela imitação grosseira. Começa por ter enredo original: o problema da caça por recompensa de bandidos. Original pelo tratamento dado ao tema, para o que muito contribuiu, sem dúvida, o desempenho inigualável de Stewart, como o caçador de recompensa implacável.

 

Eis resumidamente o plot de “The Naked Spur”, filme de 1953, mas cujo  interesse permanece vivo, por ser uma obra-prima no gênero em que o cineasta John Ford foi genial. Howard Kemp (Stewart) persegue um bandido chamadoBen Vandergroat (Ryan), procurado por ter assassinado um xerife em Abilene, Colorado. Na perseguição, chega às Montanhas Rochosas, onde encontra o garimpeiro solitárioJesse Tate, que o ajuda a rastrear a trilha de Ben. Ali também ele encontra Roy Anderson, militar dispensado do Forte Ellis por desonra, que está sendo perseguido por indígenas. Ben, o bandido, está encurralado e retém consigo uma linda jovem,Lina Patch (Leigh), filha de um amigo dele, Frank, morto ao tentar roubar um banco em Abilene. Depois de uma escaramuça, Kempt consegue capturar Ben. E ai então começa a via crucis do captor, ao se deixar acompanhar por aqueles dois indivíduos indóceis, praticamente inimigos um do outro, ter de aturar ambos, ao mesmo tempo, impedir que a presa fuja. Sem falar que há o caso da garota em jogo.

 

A princípio, o solitário Jesse e Roy pensavam que Kempt fosse um homem da lei à caça de um criminoso, mas, maliciosamente, Ben revela quem realmente ele é, um caçador de recompensa, dentre muitos outros que enxameavam, à época, o velho oeste americano. Estava armada a discórdia. Os dois agora disputam a recompensa, nada menos que 5.000 dólares, uma soma considerável, com a qual Kempt queria abandonar a vida de caçador e fixar-se num possível rancho, sonho de um homem com um passado  recheado de lutas e sofrimentos. Kempt à essa altura não tem outra alternativa, senão permitir a barganha, pois é ele sozinho contra três que podem inclusive matá-lo pelo prêmio. Enquanto isso, Ben usa de todo o artifício e truques baixos, para fugir. E agora?

A trama do filme é justamente esse desenrolar trágico, espécie de trilha de intrigas, brigas, tiros e picuinhas entre os três personagens. Por fora ainda a beleza selvagem de Lina, para complicar a situação, principalmente quando os dois Kempt e Lina decidem se apaixonar um pelo outro.

O final vai além da expectativa, causando certa surpresa na plateia. É que Kempt, depois de dar um duro danado para levar o bandido preso e ter ainda de dividir o prêmio com os dois, resolve abandonar tudo, esquecer o passado e acreditar no futuro com a linda Lina na garupa e que se danasse a recompensa.

Não é atoa que o Leonard Maltin teceu loas a esse extraordinário filme de Anthony Mann. No gênero é o que melhor explora o lado psicológico dos personagens, sem falar no suspense que a trama implica, fazendo com que o expectador fique tenso na poltrona até saber o que vai acontecer no final.

Não será isso o que acontece com o ser humano, uma busca pela recompensa na vida, à custa de muitas lutas, dores e injustiças, quem sabe às vezes até inglória e que talvez seja melhor trocar por opção menos afortunada, mas mais prazeirosa e realista?

Pelo desempenho excepcional tanto de James Stewart quanto do próprio vilão Robert Ryan – este diga-se passagem inigualável como bandido – nossa avaliação é conferir ao filme quatro estrelas – uma delas para as belíssimas paisagens das Montanhas Rochosas e suas adjacências. Naturalmente filme impróprio para 14 anos(MMV).

 

Em, 27/12/2011.

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