terça-feira, 28 de fevereiro de 2017




              OSCAR 2017  : O QUE HÁ DE ERRADO?






        Como cinéfilo de longas datas, somos dos que criticam a celebrada festa de entrega do OSCAR – a maior celebração anual do cinema, realizado em Hollywood, Estados Unidos. Não pelo ato em si, no que diz respeito ao culto à Sétima Arte, ou seja, de que seja estabelecido determinada ocasião para festejar o cinema, também através daqueles que o realizam, cineastas, produtores e principalmente atores e atrizes, os verdadeiros construtores da cinematografia.
            Discordamos, em gênero, número e grau, é quanto a forma, a maneira, a estrutura como é conduzida a celebração da entrega do prêmio anual, o festejado OSCAR.
             Por que a festa do Oscar, ao invés de celebrar o cinema em si,  tem se transformado de uns tempos para cá numa espécie arrasa-quarteirão, não só por acumular fatos e atos estapafúrdios, desfiles de vestidos espalhafatosos em mulheres seminuas, graçolas impertinentes de entrevistadores despreparados e outros quejandos, desafiando a escala da vulgaridade e do mau gosto?
              Por que o Oscar não pode se apresentar ao mundo, que cultua e aprecia o cinema, como uma representação à altura da simbologia de que se investe – Arte e Cultura?
          Aliás, as últimas apresentações do Oscar têm sido marcadas de trapalhadas, espécie de espetáculo bufão, desafiando até mesmo a inteligência do espectador, os desavisados inclusive.
           Este ano o Oscar, ao que tudo faz crer, passou dos limites, tantas foram as estultices, os desacertos, enfim, para dizer o mínimo – uma descomunal palhaçada. Dai na nossa apuração o Oscar vir perdendo, cada vez mais, sua credibilidade, pelo menos em termos de formatação.
              Começou com o apresentador, dito anfitrião, um comediante de “talk show” chamado Jimmy Kimmel, fazendo piadas abstrusas, críticas, tais como: “... Alguns de vocês irão fazer um discurso que fará o presidente dos Estados Unidos tweetar usando o Caps.”
            Desde seu início que esses comediantes/anfitriões veem utilizando o Oscar como palco de críticas e diatribes pessoais. Dentre outros, os mais célebres foram Bob Hope, com suas críticas absolutamente infames e sem nenhuma graça a não ser restrito ao público americano. Um pouco melhores foram os seguintes, como Robin Williams, realmente engraçado e com tiradas inteligentes, seguindo-se Billy Crystal, cujos distes deram pra quebrar o galho, sofrivelmente. Já esse senhor que apresentou o atual, tenha a santa paciência, não há estômago que aguente, sem nenhuma apetência para o métier.
            Entrementes, em relação ao conteúdo, o desenrolar da festejada solenidade, deparamo-nos com a antessala da cerimônia, em si, o tal “tapete vermelho” – não sei porque essa cor, podia ser azul, verde, branco, rosa... – onde ocorrem as “entrevistas” relâmpagos com os atores, atrizes e convidados. Ai vem os desfiles de moda, os protagonistas, mulheres e homens, em trajes estrambóticos, parecendo verdadeiros “ETs, elas com saias imensas, tecidos transparentes, certa vez uma delas apareceu praticamente desnuda, enquanto outra o seu vestido tinha decote tão grande que de repente descobria sua peça mais íntima. Cabelos e cortes enigmáticos, irreconhecíveis. Jeniffer Aniston desfilou este ano com um modelo de boutique famosa, com cujo façanha, dizem, faturou nada menos que dez milhões de dólares!
             Reclamaram que, ano passado, os atores e atrizes “colored’ ou negros para nós, não tiveram vez, acusam o evento de preconceito, surge logo a ala esquerdista pela reparação, que veio a galope com a premiação de melhor filme para uma película interpretada por negros: Moonlight. Ora, pela madrugada, os negros sempre tiveram representantes famosos em Hollywood, não pelo fato de serem negros, mas pelo mérito de serem realmente atores fantásticos: Harry Belafonte, Sydney Poitier e Denzel Washington, só para citar alguns.
             Observe-se agora o mérito da premiação deste ano. O filme mais cotado, desde as prévias, era “La La Land”, uma película incrível, realizada pelo cineasta Damun Chazelle (de Whiplash), que já havia ganho prêmios anteriores ao Oscar, como o Gramy, com 14 indicações cravadas para o evento. Ora, vejam só, o filme que acabou arrebatando o Oscar 2017, em última hora e mediante um erro crasso de organização, foi “Moonlight”!
             Como aferir tão discrepantes critérios, se o filme teve a melhor direção, a melhor fotografia, o melhor design de produção,  a melhor trilha sonora e a melhor canção original? Sem falar na melhor atriz, Emma Stone – portanto obteve seis premiações? Como não ser o “melhor filme” com todos esses requisitos? Não tem absolutamente lógica!
             Sumarizando tudo o que apontamos, é de ver-se que salta aos olhos, até dos mais acéfalos em termos de cinema, que a Meca do Cinema tem de reformular a celebração do Oscar, como símbolo da Sétima Arte. A nosso ver, deveria ser ocasião especial para se cultuar a arte, o que ela representa para os nossos tempos, em termos de simbologia, fenômeno cultural por excelência, enfim, espécie de metacinema – o que está para além do cinema. Só assim, a nosso ver, esse fenômeno artístico suis-generis realmente prestará culto relevante à Humanidade. 
 CDL/Bsb, 01.03.17

Nenhum comentário:

Postar um comentário