quinta-feira, 27 de outubro de 2016









GLOBALIZAÇÃO : RUMO AO GOVERNO MUNDIAL
                       




       A globalização tem sido assunto permanente nos tempos atuais, implicando pros e contras quanto aos efeitos produzíveis e produzidos na evolução das Nações. De certo modo, porfia com outros não menos ruidosos, ou ruinosos, política, corrupção, violência e sexo nas novelas de TV.
Na verdade, o noticiário brasileiro é o que nos impinge todo santo dia, de forma impiedosa e massacrante. De tal modo que já nos acostumamos a conviver com a desgraça, revoltas nas penitenciárias, assassinatos em escolas protagonizados por alunos, estupros coletivos – isto quando não nos mostra ao vivo os autores denunciados de corrupção, lavagem de dinheiro e falcatruas financeiras, envolvendo políticos e empreiteiros. É assim a rotina da vida no nosso País. Entre nós, não é o ladrão de galinha,  o mequetrefe  miserável que surrupia, às vezes por necessidade, algum produto no  supermercado, que desfalca o erário público, mas os políticos oportunistas, os empresários desonestos, os quais, aliam-se para saquear os cofres públicos, sem nenhum pejo. Esses têm as consciências totalmente empedernidas, querem é se locupletarem, engordarem os depósitos em paraísos fiscais e proverem de luxo seus familiares, principalmente suas caras-metades, à forra nas compras principescas em Paris, Londres, Orlando e outros paraísos de consumo, praias, veraneios, Dubai e que tais.
Assim é que certa filósofa tupiniquim, a guisa de culpabilizar a classe média, teria se saído com essa: “Eu odeio a classe média!”
Mas não será essa mesma classe média, alta ou baixa, que faz loas à globalização e outras falácias como o aquecimento global, o efeito malthusiano da fome global decorrente do aumento populacional, as campanhas maciças do fator abortivo, a universalização da Amazônia, a sujeição das pessoas a novos paradigmas, seja de ordem social, política, sexual  ou religiosa, o exemplário é inesgotável pelo número de ongs, fóruns, seitas, organizações oficiais e para oficiais proliferantes planeta afora, o Brasil verdadeiro campo minado dessas entidades, muitas marginais e inúteis?
Entrementes, com sua panaceia de salvação extraterritorial,  será que, na realidade, a globalização não esconde perigo ainda maior ao se tornar veículo rápido e eficaz de propagação de ideologias espúrias – como o neossocialismo, por exemplo, com seu falso perfil democrático, em favor da revolução social e cultural maquiada,  mas a rigor não passando de fascismo? Que o diga os livros panfletários do economista Piquety com suas pesquisas bombásticas contra o capitalismo e neocapitalismo – há gente que acredita em probabilística!
Não há negar: a globalização tem seus pros e contras, moeda de de duas faces. O fenômeno não é absolutamente novo. O mundo, em termos de evolução e progresso deve à globalização. Não foi atoa que Vasco da Gama descobriu o caminho para as Índias Ocidentais e revolucionou a navegação. Os portugueses medievais deflagraram a instituição dos Descobrimentos e colonizaram  o Brasil. Não fora a visão ecumênica de D. João VI com a abertura dos portos da então colônia brasileira, não ousaríamos alcançar o nível de exportação e credibilidade de nosso comércio exterior atual.
Mas, isto não justifica a erosão que a globalização vem causando ao mundo, às Nações, no sentido geopolítico, ou seja, dos danos que dela resultam às culturas originárias de cada País, aos pleitos nacionalistas, à ética e dignidade dos cidadãos, suas pretensões patrióticas – tudo em que o fenômeno de equalização mundial implica, de forma inexorável, impondo a igualdade aos desiguais e a desigualdade aos iguais, o que equivale dizer, miserabilizar o mundo por baixo, num verdadeiro furor darwiniano de que se salve o mais forte e apto à sobrevivência.
Concluindo nossa reflexão a respeito de tão palpitante tema, atual, controverso e não menos enigmático,  vêm-nos à baila a vetusta figura recriada por Thomas Hobbes (1588-1679) do Leviatã, o estado absoluto, o grande salvador, o mesmo por sinal retratado por Aldous Huxley no seu “Maravilhoso Mundo Novo” – o Grande Irmão, provedor, da sociedade, da vida, do amor, do sexo e certamente do que vamos fazer, comer e pensar hoje e amanhã, só  que agora é tudo globalizado.
Quem sobreviver,  comprovará.
CDL/Bsb, 28.10.16  
  

domingo, 16 de outubro de 2016










O OUTRO LADO DO PRÊMIO NOBEL





Com a recente concessão do Nobel de Literatura ao compositor americano de música folk e rocking’ roll, Bob Dylan – não nos causará espanto se o criador e benfeitor do Prêmio Nobel, o milionário sueco  Alfred Nobel, tenha se revolvido no seu túmulo, de indignação.
Indignados também estamos nós, escritores e cultores da arte de escrever com tão estapafúrdia escolha, fora dos padrões de qualquer mérito a ser concedido às letras. Afinal qual o motivo de premiar um cantor de baladas countries, propalado na mídia americana e internacional, tendo abocanhado inclusive prêmios como o Grammy de Música, o Globo de Ouro, o Pulitzer e recentemente em 2012 a Medalha Presidencial da Liberdade, concedida pelo Presidente do Estados Unidos, Barack Obama? A secretária da fundação sueca, Sara Danius justificou a premiação de Bob Dylan por ele criar versos não para serem lidos, mas ouvidos acompanhados de música, segundo ela – pasmemos todos nós – “na tradição de Safo e Homero”. Quer dizer, o cantor de baladas folclóricas, na onda da contracultura dos anos 60 e 70, embalado no LSD e nos rebeldes de Woodstock, sem mais nem menos, é equiparado repentinamente a Homero, suposto autor das obras-primas Ulysses e Odisséia. No raciocínio dos promotores do Nobel, também seria equiparado a Miguel de Cervantes, com  Dom Quixote e Luís de Camões, com os Lusíadas.
E a escolha se torna ainda mais absurda senão incauta, se verificarmos os escritores que foram preteridos, embora indicados:
- Svetlana Aliksijevit, jornalista e poeta ucraniana,  com livros sobre a segunda Guerra Mundial;
- Haruki Murakami, escritor japonês muito popular, jornalista e com obra prolífica;
- Ngug wa Thiong’ o, escritora queniana, lutou pela independência do Quênia;
- Phillp Roth, premiado autor americano, com 83 anos, notabilizou-se com o livro “O Complexo de Portnoy”;
Joyce Carol Oates, americana, publica livros desde 1963, premiado pelo National Book Award (1969), professora na Princeton University;
- Ismael Kadare, albanês, perseguido pelos comunistas exilou-se na França, onde vive, com vários prêmios e indicações ao Nobel;
- Jon Fosse, jornalista norueguês, autor de novelas e contos, Cavaleiro da Ordem Nacional do Mérito da França;
- Ko Un, autor sul-coreano, traduzido em mais de cinquenta idiomas, indicado mas nunca premiado;
- Liter Handke, austríaco, com vários prêmios, o mais recente o “International Ibsen Award”, novelista, também indicado, sem êxito.
A crua realidade é que esse famoso prêmio Nobel vem caindo, de certo modo, senão no ridículo, no mínimo desacreditado. Haja vista a premiação recente atribuída à categoria Paz: dentre cerca de 376 candidatos, dentre eles até o Papa Francisco, eis que foi galardoado nada menos que o presidente da Colômbia Juan Manuel Santos e o líder da FARC, Timoleon Jimenez, pelo suposto pacto de paz entre o  governo colombiano e os terroristas de uma facção criminosa, responsável inclusive pelo sequestro de 3.000 crianças, que não foram sequer objeto do tal pacto de paz! E mais: o suposto “pacto” foi vergonhosamente rejeitado em plesbicito pela população colombiana!
Com muita clareza contra essa premiação ao bardo da contracultura,  quem melhor se pronunciou foi o escocês Irvine Welsh: “Sou fã de Dylan, mas esse prêmio é apenas uma nostalgia equivocada e rançosa das próstatas senis de hippies delirantes.”
Ora, convenhamos, discografia, letras de música, baladas, cantarolas e cantorias, não há como classificá-las como literatura, senão daqui a pouco pleitearão o Nobel – e com muita razão – esses rapers de rua, cancioneiros de meia tigela, e por que não nossos cordelistas do sertão?
CDL/BsB.,16.10.16