quinta-feira, 28 de maio de 2015


SODOMA E GOMORRA NA MÍDIA

   A JUSTIÇA   UMA    ILUSÃO?

 


 

Todos os dias, melhor, a todo instante, somos bombardeados com uma enxurrada de notícias através da mídia, escrita ou falada, a título de nos manter informados sobre tudo o que se passa no mundo. Não só no mundo, na nossa terra, na nossa cidade, na nossa rua. Nada escapa ao furor da mídia, que não nos dá sossego, nos entope de notícias, a maioria delas fatos horríveis.

O mundo, nosso mundo, nosso País, nossa cidade, nosso bairro – nada escapa à TV de esquadrinhar e depois nos empanturrar de fatos e fotos que nos revelam desastres, cenas de crime, roubos, assaltos.

Convenhamos este não é absolutamente o mundo com que sonhamos. São tão absurdas as cenas e tão nefandos os fatos, que somos obrigados a reconhecer que este velho novo mundo retrocedeu à degradação suprema. Dir-se-á que Sodoma e Gomorra se despregam das vetustas páginas da Bíblia, para compartilhar conosco a podridão em que se tornou nosso espaço vital, ante a degradação e a imoralidade crescentes nos atos e costumes praticados em nossas sociedades.

Será que atingimos, enfim, o Amargedon apocalíptico? Os seres humanos  assumem seus últimos estertores da razão, em estado de absoluta apoplexia material, mental e espiritual – endoideceram de vez?

Bandidos, criminosos, estupradores, ladrões, estelionatários, inclusive políticos violentos e os vilões de colarinho branco – é incrível, mas essa chusma de delinquentes, em maior ou menor escala, já não se contenta em apenas extorquir as vítimas, roubar, desfalcar os cofres públicos, vilipendiar. Pois agora a moda dos atuais  facínoras é, mesmo que não haja reação alguma, matar a vítima, e com o cúmulo de crueldade, à faca, como faziam antigamente os trogloditas a tacape. Pois é o que vem acontecendo em várias regiões do Rio de Janeiro, um caso recente ocorrido na Lagoa Rodrigo de Freitas, cartão-postal da cidade, em que um ciclista, na realidade médico cardiologista, foi covardemente assassinado à faca, para roubarem sua bicicleta. E pasmem: os autores são adolescentes, um deles já com uma folha corrida considerável de crimes, recidivo em várias atuações.

Há pouco tivemos notícia – também alardeada pela TV e por manchetes de jornais – de um crime dos mais aterradores: em Brasília, a esposa de um oficial militar, em conluio com a irmã,  mandou sequestrar o marido, e matá-lo em seguida com a própria arma dele. Motivo: a mulher ficar com a pensão do marido e com seu seguro de vida. Que mundo é este em que vivemos?

É a pergunta que não cansamos de fazer, a pairar no ar, sem que haja explicação plausível.

No exterior as ocorrências não são nada edificantes. Temos o desprazer de ver os terroristas do Estado Islâmico – o famigerado ISA – explodirem bomba em supermercados e templos, sem contar que já vimos esses sanguinários meliantes degolarem vítimas ao vivo em frente da TV e incendiarem inimigos. Agora sabemos que a falange criminosa acaba de tomar a cidade iraquiana de Palmira, patrimônio cultural da UNESCO. Não tardará e a TV nos mostrará esses famélicos assassinos destruírem templos e raridades artísticas e culturais nesse importante sítio arqueológico.

No Brasil, o estrago não fica por menos. A violência, em todos os sentidos, já ultrapassa o limite do suportável. Jornais, revistas e TVs encharcados de notícias de roubo, assassínios, explosão de caixas eletrônicos, greves de presidiários, violência policial. Infelizmente, convivemos com esse estado de coisa, intolerável e desumano.

Quanto à justiça, como dar-lhe o crédito merecido se seus intérpretes conspurcam seus cargos, alguns igualando-se aos criminosos que julgam? É o triste caso daquele juiz que mantinha sob sua guarda bens do ricaço Elke Batista, processado por maquinações financeiras e um belo dia de domingo eis que é flagrado dirigindo um cupê luxuosíssimo do suspeito. Um juiz – tenha santa paciência, isto é manchar a toga que veste! A justiça fica desmoralizada.

Se o delinquente é menor, nada lhe acontece, pois é defendido pelo Estatuto do Menor, está acima de qualquer suspeição. E resultado: haja roubo, delinquência e até assassinatos praticados por menores, que, assim, ficam impunes.

Fala-se muito na ressocialização dos presidiários. Ora, todos sabemos que, pelo menos no Brasil, as cadeias se tornaram escolas do crime, o delinquente que de lá sai, vai praticar a mesma coisa e com mais periculosidade. É um círculo vicioso de alimentação contínua do crime.

Há algum tempo, em entrevista à Veja, certo administrador de presídio na Inglaterra, com trinta anos de função, declarou que dificilmente o criminoso se reabilita. É quase ressuscitar a teoria, de certo modo, execrável, de Lombroso.

E agora o que fazer? Orar, sim, pedir aos céus, que restituam o tirocínio perdido dos seres humanos – não deixa de ser uma opção humanística do ponto de visto teológico. Mas não podemos ficar de mãos cruzadas. É preciso que levantemos barreira ao crime, ao mal e não nos deixarmos conspurcar por atavios ideológicos. É preciso que aprendamos, mesmo aos solavancos, a construir uma sociedade mais consciente, mais preparada, com pessoas mais imbuídas de fé, seja religiosa ou não – mas que se mantenham como cidadãos convictos, ciosos de que poderão construir um mundo melhor, no qual o ser humano se solidarize com suas potencialidades e  atenda, com racionalidade, as exigências do amanhã.

CDL/BSB, 29..05.15

sexta-feira, 22 de maio de 2015


             OS  QUE  NÃO  BEBEM  COMO  CÃES

 


Viceja em certos meios agnósticos e até circula entre  pessoas que se dizem gnósticas, a ideia ou concepção, um tanto quanto extravagante, de que as religiões no futuro terão desaparecido.  Aduzem que, para substituir o vazio deixado, uma única seita nossos pósteros haverão de aderir: o culto absoluta  à personalidade – cujo desvio pressupõe uma outra crença, esta inventada, de caráter inconsútil, que se diz espiritualista por  cultuar o além-túmulo.

O ser humano sob tal perspectiva se apartaria da realidade, coadunando-se com uma espécie de imanência transcendental, decorrendo dai o exercício de um materialismo disfarçado, com a idolatria ao morto, o mito do retorno à vida e outras excentricidades, que não contribuem absolutamente com nosso caminhar nesta vida. Conquanto haja outras correntes de pensamento que  se contrapõem a essa visão fantamasgórica, a verdade é que as duas, espiritualistas e materialistas, se afinam, uma ajudando a outra – tudo para reforçar o fim das religiões, cada qual fazendo cobro à sua tese. Em outras palavras, exterminar com a crença num Criador, como mantenedor do mundo por ele criado, trocando o que dizem ser um mito, por outro mito, o de que o ser homem, e só ele, é responsável por seu destino no mundo.

Ora, se se apegam a concepções de vivência em além-túmulo, fazendo com que o ser humano reviva mediante processos reencarnatórios, tais ideias só fazem estimular o ideal materialista de que, cada qual é responsável por seu destino, vivo ou morto. Dai serem prata da mesma moeda, farinha do mesmo saco, ideológico e contrário, portanto, à lídima doutrina filosófica dos Evangelhos.

O fim das religiões, como apregoam esses asseclas da desrazão, tem certa semelhança com o pensamento desvairado de Nietzsche, ao preconizar que “Deus estaria morto”,  de cuja afirmação é corolário o pensamento do economista americano de origem asiática, Francis Fukuyama, que, em 1985, declarou o fim da História.

Não há negar que tais assertivas, citadas assim levianamente, não têm crédito, são de fulgurância fugaz e falaz. Traduzem visão opaca e prevaricam quanto às verdades reveladas pela doutrina do Mestre do “Sermão da Montanha”. Observe-se com que maestria já nos ensinava no passado o sábio francês Michel de Montaigne(1533-1592): “O homem que não é nada, procura com sua fraqueza e incapacidade sondar os mistério de Deus, mas, ali,  nada ele encontra a que se apegar.”

O cristianismo – “A Religião do Homem”, como explicitou o filósofo paulista Mario Ferreira dos Santos – jamais há de desaparecer, porque se enraíza em verdades eternas. É tão forte, tão arraigada na consciência humana a centelha da religião, que nenhuma tempestade ideológica haverá de fazê-la, desaparecer, não só do mundo, como videira existencial, mas do próprio cérebro humano, em cujo lóbulo central se acha localizado, fato, inclusive, já provado cientificamente.

O que seria o mundo se não fosse a religião, uma vez que constitui o elo de ligação com a Divindade?

Como os seres teriam alcançado o progresso, inclusive o tecnológico, se tais atos não hajam encontrado a ressonância necessária advinda do espírito empreendedor, embebidos na força do personalismo e da compaixão, ambos originários do cristianismo, que proporcionou ao ser humano a dignidade capaz de, valorizando sua intuição, evoluir moral, social e economicamente? O contrário seria o ser humano retroceder ao caos.

Não há negar: sem religião o mundo retornaria à barbárie e a vida não passaria de uma trajetória sem sentido, vazia de eternidade.
CDL/Bsb, 23.05.15

 

segunda-feira, 11 de maio de 2015

FAÇA-SE JUSTIÇA, MAS A JUSTIÇA PODE  NÃO  SER FEITA

 


 

Constitui  a Suprema Corte de Justiça, como em qualquer país, a egrégia instituição de onde promanam as sentenças definitivas em termos jurídicos – portanto se erige guardiã inconteste das respectivas Magnas Cartas.

Para alcançar tão soberana função, a ela Corte devem se integrar apenas personalidades altamente qualificadas e que possuam inestimável cabedal da ciência jurídica, à altura da responsabilidade que a superior toga lhe confere.

Semelhante primado honorífero deve prevalecer a toda nação que tenha por fundamento  a plenitude democrática e cujas leis defendam os magnos conceitos de justiça, equidade e soberania.

Nações há – e os Estados Unidos são  o melhor exemplo – que as sessões da Suprema Corte – Supreme Court of the United States – cuja realização das assembleias se revestem de significa solenidade, a ponto de o Marshal, seu Conselheiro Geral, abrir a sessão com o seguinte exórdio ejaculatóro:

 

“Escutai, escutai, escutai todos que mantêm algum pleito

com essa honorável Suprema Corte dos Estados Unidos,

pedimos que se aproximem e prestem atenção, pois iniciam-se os

trabalhos desta Corte e que Deus abençoe os Estados Unidos

e sua honorável Corte de Justiça”.

 

A Suprema Corte de nosso País – o Supremo Tribunal Federal – ao invés do solene pregão, recorre à TV, levando publicamente a realização das sessões, a título de torná-las democráticas, quando na verdade parece mais um circo de conotação demagógica.

O que se espera, enfim, de uma Suprema Corte, solene ou demagógica, é o fato de ela se constituir o superior conciliábulo  e a última instância jurídica de um País, instituído como nação independente. Entre nós, é o Supremo Tribunal de Justiça, o STJ.

Historicamente, decorreu de proclamação por D.Pedro I da 1ª Constituição brasileira,em 1822, promulgada dois anos depois, cujo artigo 163 fazia criar um Tribunal sob a denominação de Supremo Tribunal de Justiça, rebatizado como Supremo Tribunal Federal através do Decreto nº 510, de 22.06.1890.

Sob sua égide, desde então ilustres figuras do mundo jurídico têm honrado a missão, citando-se, dentre outros, Nelson Hungria, penalista célebre, Orozimbo Nonato, civilista renomado, Hahnemann Guimarães e Aliomar Baleeiro, renomados ambos.

Ocorre que, nos dias atuais, os meios políticos brasileiros encontram-se em efervescência certas ideias esdrúxulas, muitas delas contrárias ao direito e ao espírito democrático. Pois é neste cenário que a Presidência da República acaba de indicar nome de jurista, sobredito como de grande competência, para preencher vaga no Supremo Tribunal Federal.

As informações que correm sobre o candidato – inclusive segundo artigo publicado na revista Veja – é que ele nutre ideias nada democráticas, ou melhor, suas pretensões ferem não só nossa Constituição, mas a própria ciência do direito, se considerarmos que seu fim é a prática da justiça, da equidade e o equilíbrio da sociedade pela solução dos conflitos gerados. Ora, esse senhor apregoa abertamente considerar o direito de propriedade “antiprogressista”, assim como defende a desapropriação de propriedades produtivas para fins de reforma agrária, portanto, a favor das ações delituosas do MST. E não ficam ai suas maquinações intelectuais: considera normal a poligamia e diz até hoje exercitar-se com base no “materialismo dialético” – o que não deixa de ser um absurdo com o desmoronamento do comunismo russo por ter sido comprovada a ineficiência de sua aplicação como regime socioeconômico.

Torna-se inconcebível, pois, que, para exercer tão elevadas funções, seja escolhido e participe de uma entidade como o Supremo Tribunal Federal, pessoa com tais qualificações, não só do ponto de vista intelectual, mas como julgador, que se imite, pelo encargo em si, defensor e guardião da Constituição, ao lado de seus pares naquele Órgão.

Oxalá nossos representantes no Senado Federal honrem seus mandatos e respeitem o povo brasileiros, que os elegeram, não só sabatinando o candidato com o máximo rigor, mas,por fim, embargar seu ingresso no STF, pela inaceitabilidade de suas pretensões – ao largo e muito dos princípios pétrios do direito e de nosso regime constitucionalista.

Com o fato consumado não é só a Constituição que se fragilizará, mas o povo brasileiro que, assim, dará mais um passo para se tornar refém de um regime totalitarista, antidemocrático e anticristão, por excelência.

CDL/BSB, 11.05.15