quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O QUE SERIA A POESIA (música de JC Dattoli e Murilo Veras)

Poesia

Publicado em 8 de ago de 2014
Ficha técnica de O QUE SERIA A POESIA:
Música - JC Dattoli
Letra - Murilo Veras
Voz e violão - JC Dattoli
Teclados - J Goulart
Baixo elétrico - Daniel Júnior
Percussão - Jorge Macarrão
Gravação, mixagem e masterização - J Goular
Trabalho concluído em julho/2014.
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Editorial

2015 – PRIMEIROS PASSOS DE REALISMO OTIMISTA



            
Fim de ano, começo de outro, sempre são motivos de novidades entre as pessoas, povos e nações. Vez por outra, temos de conviver com conflitos, desastres e convulsões de toda espécie. A rigor, tem sido a oportunidade de as pessoas catalogarem eventos, já realizados ou a se realizarem, costume que parece viger desde priscas eras.

            Passado os eventos em retrospectivas, seria o caso de indagar quais as perspectivas para o ano que se inicia?

           Por mais otimistas que nos comportemos, tudo faz crer, logo pelos primeiros passos do Ano Novo entrante, que não são boas. Basta que olhemos ao nosso redor, ainda mais algures, no exterior.

           Por razão de foro íntimo, abstemo-nos de ir mais fundo nos fatos políticos de nosso País, pois tais ocorrências têm sido de comezinho conhecimento de todos. Aliás, a coisa nesse campo está tão absurda que até aquele aforismo popular de reconhecida sabedoria de “água mole em pedra dura, tanto bate até que fura”, perdeu o sentido. Pois quanto mais os erros e desmandos são apontados aos políticos delinquentes, mais audaciosos são os esquemas que inventam, para nossa infelicidade com a leniência explícita ou implícita do ordenamento jurídico, este, sim, que parece deitado em berço esplêndido, menos por ingenuidade. Enquanto isso grassa a impunidade.

          Cada vez mais, o mundo parece enfrentar crises alucinantes. Não apenas decorrem dos imbróglios econômicos e financeiros, já sofridos nas nações,
de consequências visíveis e intermitentes. Apavorantes têm sido também as catástrofes fenomênicas e por falhas humanas, os maremotos, tsunamis, desastres de aeronaves, inclusive dois recentíssimos na Europa e Malásia, de trágicas memórias.

        Há pouco, no dia 7 deste, acordamos com a notícia aterrorizante de um atentado em Paris, ainda de hostes não identificadas, mas possivelmente do famigerado Estado Islâmico ou movimento terrorista similar de que resultou no assassinato de 12 jornalistas de uma revista humorística francesa, mais quatro pessoas em estado grave.

       Diante de cenário tão macabro, uma figura se destaca para nos advertir que nem tudo está perdido, que é precisa sermos otimistas neste mundo. Trata-se do Papa Francisco, Sumo Pontífice da Igreja Católica. Oxalá seu comportamento bem humorado nos contamine a todos, os de boa vontade principalmente, ele, que, mesmo na sua benevolência, vem adotando medidas saneadoras no Vaticano, espécie de varredura ético-religiosa.

       Pena que o exemplo do Sumo Pontífice no Vaticano não encontre guarida entre nós, com vistas à moralização da política e punibilidade dos meliantes que a contaminam — a Nação penhoradamente agradeceria.

Caminho das Letras - Arquivo de Editorial

Comentário de Flimes

INTERESTELAR
“Interstellar”,, Inglaterra/EUA, 2014 – Direção: Cristopher Nolan – Astros: Mathew McConaughey, Anne Hathaway,Wes Bentley, Jessica Chastain, Matt Damon, Mackenzie Foy, Elyas Gabel, Michael Caine, Casey Affleck, Topher Grace, Ellen Bustyn, John Lithgow
  Cristopher Nolan é cineasta que tem sido bafejado com a fama na meca do cinema. Assinale-se sucessos e insucessos em sua carreira. Fez filmes como Amnésia (2000), Insônia (2002), a Trilogia do Batman-Cavaleiro das Trevas, O Grande Truque (2006) e Origem (2010). E agora este Interstellar, filme que a mídia vem elogiando. 
Convém façamos um prólogo antes de qualquer comentário. O filme tem semelhanças com a obra-prima de Stanley Kubric, Odisséia no Espaço. Seu script baseia-se nas teorias mais ou menos excêntricas de um físico americano, Kip Thorne, especialista em assuntos cosmológicos, como buraco-negro, buraco-minhoca, deformações do espaço-tempo e ondas gravitacionais, tendo sido ele mentor de certas ideias divulgadas por Stephen Hawking. Pois o cineasta que aceitou o projeto do filme tenta dar corpo a essas teorias extravagantes, adaptá-las à cinematografia. E o resultado é o que o público vê nesse recente hit nas telas.
Tem como trama o seguinte. A terra encontra-se em estado de alerta geral, devido a crise que se abate sobre a produção de alimentos, com a devastação das plantações dos produtos alimentícios. Está prestes de se extinguirem as fontes de alimentos no planeta, sem que se tenha solução definitiva para a calamidade pré-anunciada. O filme, porém, se limita a exibir uma situação, numa pequena fazenda do interior, longe de se considerar uma calamidade planetária, mas restrita a um estado americano. Sugere que grassam a fome e o sofrimento, embora apenas sub-repticiamente – situação inspirada na grande crise de 1930, nos Estados Unidos. 
Prevendo o pior, a NASA prepara um programa espacial ambicioso: transportar a humanidade para outro planeta que tenha condições semelhantes às da Terra. Mas a coisa fica totalmente em segredo, para não amedrontar as pessoas. Cooper (McConaughey), ex-astronauta e agora fazendeiro, já aposentado da função, devido certo estratagema da mesma NASA é cooptado a aceitar o comando da nave especial que levará tripulação escolhida numa viagem galáctica. O gestor da ideia é um professor meio cientista maluco, que bola a possibilidade. A equipe é formada, mas Cooper tem de convencer seus familiares a aceitarem-no partir para uma viagem espacial, cheia de perigos e talvez com a possibilidade de nunca mais voltar. O filme procura explorar essa parte emocional familiar dos protagonistas. Dizem os críticos que todos os filmes de Nolan exploram esse campo.
O filme é para tratar dessa viagem extraordinária, em que os astronautas, numa nave espacial superequipada, inclusive com um computador top de linha – assim como ocorreu com o da Odisseia no Espaço – com a diferença de que este é bonzinho, não quer destruir os humanos, responde tudo o que lhe pergunta e age como um expert da área. Como é de se esperar, surgem os atropelos, as dificuldades, as terríveis surpresas a que se sujeita esse tipo de atividade, que é a realização de uma viagem interplanetária, inclusive, segundo o filme, intergaláctica – e o que é pior, a nave terá de atravessar um buraco-de-minhoca (wormhole, em inglês). Começam então as tragédias, agora, lá nas estrelas, num planetoide desconhecido, onde já se encontra outro astronauta, também da NASA, enviado anos antes. Doravante a película se complica, o cineasta coloca muitas cenas estrambóticas de difícil compreensãol, utilizando técnicas de flashbacks e outros artifícios. Na realidade, acaba misturando, no enredo, ficção científica com espiritismo, coisa que Spielberg fez, por exemplo, em Além da Eternidade, mas com muito mais maestria.
Depois de muitas peripécias nessa espécie de infinito galáctico – o filme tem três exageradas horas de duração – Cooper, através de um estratagema decorrente de interpretação do espaço-tempo e da gravidade, o certo é que ele consegue, lá das galáxias, retornar à Terra. Mas ai já é decorrido quase um século e ele agora vai encontrar a querida filha Murph (alguma coisa com a Lei Murph?) muito mais velha do que ele, o pai, cuja idade foi encurtada pelo fenômeno do espaço-tempo devido a viagem interplanetária.
Como se depreende, é visível a semelhança com a Odisseia de Kubric. O que ocorre é que Nolan não chega aos pés daquele. Faz um filme confuso, mas supostamente fundamentado na FC, ou seja, nessas teorias mais modernas derivadas da física quântica ou influenciadas por vezes em inúmeros conceitos e interpretações gerados por essa teoria. Ora, em termos de FC, não se pode desprezar as diversas versões cinematográficas da bem sucedida série Jornada nas Estrelas (Star Trek, em inglês), a nosso ver mais palatáveis, por serem mais fantasiosas.
Não há negar que o filme explora trama interessante, que é o drama pessoal das pessoas ao experimentarem alguma dia as tais viagens interplanetárias. As complicações são imensas. A trama se desenrola em torno do problema da gravidade e dos famigerados buracos-negros e seu similar, não menos catastrófico, que são os chamados buracos-minhocas (wormholes, em inglês).
Vale uma ligeira explicação sobre esses buracos-minhocas. Trata-se de uma teoria criada e desenvolvida pelo físico Kip Thorne, cientista de ponta, que já orientou filmes de FC, como Contato (1997), atualmente consultor da NASA. Trata-se de um desdobramento da Teoria da Relatividade de Einstein. É uma ruptura no espaço-tempo, sendo este o “tecido do universo”, ou seja, o ambiente dinâmico onde os acontecimentos ocorrem. Como as viagens interplanetárias são fisicamente impossíveis nos termos da física atual, devido as distâncias impressionantes dos entes estelares, os cientistas mais criativos ousam sugerir que as distâncias sejam encurtadas, para tornar tais viagens plausíveis e realizáveis. Os buracos-minhocas funcionariam como verdadeiros túneis de escape e atalhos no tecido galáctico, encurtando consideravelmente as distâncias. O planeta mais semelhante ao nosso é o KEPLER, que dista da Terra cerca de 500 anos-luz (a medida utilizada em astronomia). Para alcançá-lo, com nossa atual tecnologia, ou seja, uma nave viajando a 1% da velocidade da luz, levaria cerca de 50.000 anos, portanto, fora de cogitação. Utilizando a hipótese do buraco-minhoca, talvez a viagem levasse apenas 5 anos. Ora, quem assistiu os filmes da série Jornada nas Estrelas sabe que, lá, os astronautas utilizavam a chamada “velocidade de dobra” nas suas navegações, quer dizer, velocidade para além da velocidade da luz, impensável humanamente. O termo buraco-minhoca foi criado em 1957 pelo físico John Archibald Wheeler e eles seriam possíveis por causa da chamada “matéria exótica”, que seria uma substância teórica possuidora de densidade de energia negativo – ambos os conceitos não são provados pela ciência atual. Kip Thorne imaginou um buraco-minhoca transponível.
O que se pode depreender do filme de Nolan é que as viagens interplanetárias ainda constituem um ponto de interrogação, no que se refere à sua viabilidade. A migração dos habitantes da Terra para outro planeta é tema futurista, de longínqua efetivação. Segundo a classificação galáctica prevista por Carl Sagan, a civilização terrestre encontra-se ainda em estágio incipiente, incapacitada de intentar uma aventura interestelar.
Quanto ao retorno espetacular de Cooper, narrado no final do filme, talvez tenha ocorrido o mesmo da personagem do best-seller Contato de Sagan: ele nunca saiu da Terra, tudo não passou de imaginação. Pelas atuações dos atores e assim mesmo achando que de certo modo Sandra Bullock (Gravidade) foi melhor do que Anne Hathaway, atribuímos quatro estrelas ao filme, com possibilidade de ser indicado para o próximo Óscar 2015. (MMV)