quinta-feira, 12 de novembro de 2015




 
                  PÁTRIA (DES) EDUCADORA:            

               O RETROCESSO IDEOLÓGICO

 
 


 

Os brasileiros parecem todos dormirem em berço esplêndido ao ignorarem o grande embuste que vem se tramando na educação. Quem não tem filhos nas escolas públicas, níveis elementar e fundamental, simplesmente  – como fazem os medrosos gansos enfiando os bicos em buracos – preferem se omitir e deixar o barco passar. E quem os tem, por preguiça mental ou negligência, dão uma de ouvido mouco,  se acomodam. Enquanto isso, o nível de conhecimento, o cabedal intelectual, o acervo cultural do brasileiro tudo vai se dissolvendo na poeira do tempo.

E tem pessoas que alardeiam que nosso País caminha a passos largos para o progresso. Ou regresso? Sim, regresso ou melhor, vivemos, isto sim, tempos de retrocesso, em termos de conhecimento, racionalidade e dimensão social, antropológica, econômica e humanística.

Observe-se, por exemplo, o descalabro que está ocorrendo no aprendizado escolar. Atente-se para esse monstrengo que constitui a Base Nacional Comum Curricular, espécie de planejamento global no âmbito da educação formal, proposto pelo Ministério da Educação. Trata-se de um plano objetivando a padronização dos currículos escolares, seja pública ou privada, pelo qual os estabelecimentos de ensino do País serão automaticamente orientados a compatibilizar o conteúdo de suas grades de ensino e o professor – que assim fica  mais acéfalo do que já está –  em sala de aula, obrigado a transmiti-lo a seus alunos.

Antes de mais nada já resultaria num absurdo impor às escolas e consequentemente aos alunos conteúdos obrigatórios, quando muito poderia ser diretrizes a título de orientação, nunca imposições de caráter ideológico. Sim, porque esse, em ultima instância, é o verdadeiro objetivo desse famigerado Plano: ideologizar o ensino brasileiro, desmontar o estudo tradicional, desmoralizar o ensino humanístico, pluralístico. O modelo tradicional de ensino foi inspirado no famoso método Trivium da escolástica que a Irmã Miriam Joseph, atualizou em obra  recente do mesmo título.

Ou como dizem em artigo de 8.11.15, na Folha de São Paulo, Demétrio Magnoli e Elaine Senise Barbosa, ao criticar a proposta do MEC: “... os autores (anônimos e, assim, “especialistas”) do documento do MEC investiram numa sociologia do multiculturalismo que esvazia a temporalidade e, com ela, a gramática da historiografia. De fato se aplicada, a proposta oficial significará o cancelamento do ensino da história.”

A verdade  que salta aos olhos é que esses supostos “especialistas” sabichões do MEC, que se escondem no anonimato,  ousam nos enfiar garganta a dentro, numa espécie de lavagem cerebral, essa demagogia espúria, esses dejectos de conhecimento, essas armadilhas ideológicas, que em última palavra nada mais são que o resultado de interpretações errôneas da história humana,  esse verniz corrosivo que se denomina sociologia do multiculturalismo, ou seja, a mais vil e nociva distorção da historiografia humana segundo sua vertente temporal.

E o que é pior, meter na cabeça de crianças de 11, 12 tais conceitos e depois, por extensão  nos currículos das Faculdades – outra coisa senão o método subliminar de terrorismo social, político e cultural criado por Gramsci (1891-1937) e adotado como bíblia pelas novas gerações neomarxistas, que formam hoje esse exército de saltimbancos corrompendo sistematicamente  os costumes, a moralidade, a política, a economia, a ciência de nosso tempo  – tudo isso com o auxílio da mistificação, do ceticismo violento e dessa monstruosidade chamada “desconstrutivismo”, responsável por desmoralizar, com seus conceitos espúrias, os pressupostos filosóficos que buscam a sabedoria.
Bsb, 11.11.15
 

 

 

 

 

 

 

 

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