segunda-feira, 29 de junho de 2015


LAUDATO SI – A ENCÍCLICA

ECOLOGICA DE FRANCISCO

 


 

Louvado Seja, Meu Senhor – esse o título da encíclica publicada em 26.05.15 pelo Papa Francisco, em Roma. O título é extraído de um cântico de São Francisco de Assis: “Louvado sejas, meu Senhor, pela nossa, a mãe terra, que nos sustenta e governa e produz variados frutos e com flores coloridas e verduras” (Cantico delle creature: Fonti Francisco, 263).

Contém o documento pontifício 246 tópicos e todos o seu conteúdo é demonstrado ou fundamentado em 172 fontes bibliográficas, o que pressupõe a garantia dos conceitos ali expostos.

O próprio Papa admoesta ser uma “longa reflexão jubilosa e ao mesmo tempo dramática”. Percebe-se logo que, com sabedoria e grande pertinácia, o Pontífice se desvia do proceder dos chamados “ecoxiitas”, quando querem impor ao mundo e às nações certos conceitos e ações, às vezes temerários de que se julgam portadores de forma absoluta.

Podemos dizer que a encíclica se apoia em dois principais pressupostos:

(a)  uma reflexão jubilosa

(b) uma propositura dramática de ações

 

Sob a égide reflexiva, a encíclica faz uma exortação maravilhosa sobre a natureza e a Criação de Deus, tendo por paradigma a luminosa figura de São Francisco de Assis. Aliás, sabemos que o santo inspirou o  título do Papa ao exercer seu vaticanato.

À guisa de proêmio, a encíclica premune-se de exortações e elegias antes de fazer as advertências e as orientações que considera imprescindíveis à guarda e proteção do meio ambiente. Depois, na sua segunda etapa, é um conjunto de medidas e ações concretas a serem observadas por toda a Igreja, extensiva também às pessoas de boa vontade, independente da religião que professam.

Não se trata, evidentemente, de um documento qualquer, mas uma mensagem de alto teor teologal indutor de salutares e virtuosas ideias, de cunho propedêutico, de grande alcance e repercussão na sociedade, inclusive a laica.

Assim, apoiado nesses dois pressupostos, um elegíaco e outro admoestativo – sem perder o horizonte da melhor doutrina católica – o Pontífice afastou-se estrategicamente das ações de caráter ecoxiita, espécie de terrorismo ecológico disfarçado.

 

Isso não implica que o Supremo Pontífice deixe de condenar os atentados praticados à natureza e, inclusive,  se mobilize a recomendar a adoção, pela sociedade e pelos organismos pertinentes, medidas políticas eficazes e de alcance duradouros, ações que, em conjunto com  os movimentos éticos e ecológicos, envolvendo a sociedade humana, obtenham êxito na luta contra a degradação ambiental.

As diretrizes do novo documento papal não considera, como foco crucial da questão, as ostensivas pretensões dos ecoxiitas, mas prefere fazer um diagnóstico da situação, pedindo o apoio de toda sociedade, para que, num esforço coordenado, procurem encontrar as melhores soluções possíveis.

E nesse sentido, não tem receio de apontar também como coadjuvante na degradação ambiental, o próprio ser humano, na medida em que se torna individualista ou, o que é pior, se omite no enfrentamento do problema, inclusive quando endossa campanhas meramente evasivas, com resultados ineficazes.

Sem deixar de demonstrar o lado perverso da problemática sobre o qual tanto demonizam os que defendem a bandeira ecológica radical, o Papa Francisco apela para o bom senso dos seres humanos, propondo como modelo e conduta admiráveis, seu patrono no Vaticano – São Francisco de Assis.

Destarte, a encíclica, Laudato Si, além do mérito educativo e religioso que está implícito em seu modus operandi, novo júbilo se desprende de seus 247 tópicos – um hino de louvor à Criação, à sapiência do Criador – enquanto alimenta a esperança, sob a mais lídima fé, de que os seres humanos se solidarizem como guardiões da natureza e adotem novos estilos de vida. E que façam de seus dias um continuado ato de louvor a Deus, em sua múltipla transcendência.

CDL/Bsb, 29.06.15   

 

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