domingo, 7 de junho de 2015


FILOSOFIA       DE       PRÁXIS :

DESCONSTRUÇÃO E BARBÁRIE

 

Atentem bem para o que vamos dizer nestas linhas: o comunismo, ou seus venenosos epítetos, socialismo, marxismo, materialismo dialético, tudo isso não morreu, continua de pé. Os menos avisados, inocentes úteis, dizem  que não, o comunismo acabou com o desmoronamento do muro de Berlim, o esfacelamento da União Soviética. Menos verdade: o comunismo está mais vivo do que nunca, não aquela velha e surrada ideologia de Karl Marx, aquela coisa de ditadura do proletariado, da teoria da mais-valia e o comunismo trocado pelo nirvana, que ensejaria o paraíso do materialismo na terra, a liberdade total, a anarquia absoluta. O comunismo, hoje, transfigurou-se, mudou de nome, tem outro disfarce, e, ao contrário do que muita gente ainda pensa, reaparece mais agressivo, mais atualizado,  mais demoníaco e perverso do que nunca.

Querem saber por que? Porque nos tempos atuais, depois de um período de  incubação e aprendizagem, eis que o marxismo reacende, qual Fênix, desta vez redivivo das cinzas de nossa alheamento, não para proletarizar a Rússia, mas com pretensões muito mais ousadas, ou seja, em escala pior: destruir nossa civilização. Em outras palavras: corromper o ser humano, a mente humana, o coração do homem. E o faz como um ladrão perigoso invadindo nossas casas, a corromper a principal célula social – a família.

E sabem como isso acontece? Simples, através dessa teoria tão insidiosa quanto irresponsável chamada “teoria do gênero”, ou melhor, “ideologia do gênero”.

Não satisfeitos em terem corrompido a economia com conceitos espúrias, os atuais noveis comunistas, que ora se intitulam sócio-democratas, reformadores sociais, infiltrados em todos os países, eles partem agora para outro tipo de abordagem, pregando abertamente a anarquia social. É o que significa essa mais nova ação deles que se chama “teoria de gênero”, que nada tem de teoria, pois desprovida de fundamento científico. Trata-se de uma ideologia, altamente perniciosa, com a qual pretendem – e o vem conseguindo de soslaio – arruinar a família. Destruída a família biológica, não há mais que falar em pai, mãe e filho, está tudo unificado numa classe, o gênero humano, independente do sexo biológico, portanto, desaparece a diferença entre os sexos, homem, mulher e criança é a mesma coisa. A cultura, os costumes e as convenções sociais é que impõem o sexo que as pessoas têm ou devem ter. A natureza, a biologia, tudo não passa de discriminação social e política, criada pela mente humana para escravizar as pessoas, tirar-lhes a liberdade, impor-lhes conceitos, roubando-lhes o direito de fazer o que bem entendam, como, por exemplo, se tornar mulher, se for homem ou se tornar homem, se for mulher.

Afinal, em que consiste essa tal “teoria de gênero”. Em primeiro lugar, ao invés de teoria que implicaria fundamentos científicos, trata-se de uma estratégia que tem por objetivo igualar o ser humano, independente do sexo biológico e contrapor-se à homofobia, de modo a desconstruir os estereótipos do gênero. A diferença de sexo é apenas uma convenção, imposta pela sociedade, que nem sempre corresponde à inclinação volitiva do titular sexual – esta deve apoiar-se na livre escolha dele ou dela, todas as relações entre eles são possíveis, dependendo da vontade de cada um.

Essa concepção, como se pode ver, é consequência direta da ideologia marxista que prega a luta de classe dominante na sociedade. A distinção baseada no sexo biológico é uma mera convenção e para os marxistas e seus heterônimos, portanto, os que pensarem diferente são inquinados, por eles, de reacionários, conservadores, direitistas, encontram-se na contramão da história e dos avanços da tecnologia, neurociência e da moderna psicologia. O ser humano é totalmente livre e senhor de seu corpo, responsável por tudo que faz e pratica neste mundo.

Ora, ninguém é imbecil que não percebe que, sob o disfarce de uma suposta teoria científica, trata-se de um estragema mais ou menos engenhoso, para destruir a família, célula mater da sociedade, cujas consequências são devastadoras, pois implica na mais absurda das inversões a que a humanidade já se submeteu – a subversão biológica do sexo.

Em contrapartida, uma vez adotada essa inovação, logo hão se permitir, por afinidade, outras perversões ou desvios psíquicos, como homossexualismo, lesbianismo, pedofilia, sodomia, práticas nada bem vistas na sociedade, até por questão profilática, uma vez que essa mistura heterogênea é lesiva do ponto de visto médico. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais, os desvios de identidade de gênero  são uma patologia mental. Portanto, mudar de sexo significa sintoma de distúrbio profundo, do ponto de vista médico.

Em artigo na Comissão Episcopal Laica, Federico Cenci declarou: “A teoria de gênero leva à barbária.”

Tal imputação faz sentido. Principalmente quando constatamos que essa prática está sendo implantada nas escolas públicas francesas, alegando o ministro da Educação, Luc Chatel, que a introdução da medida nas escolas objetiva, diz ele,  desconstruir os estereótipos do gênero.

Essa suposta “teoria”  nada tem de científica, não passa de mais uma estratégia para destruir os construtos morais, éticos e sociais, pilares de nossa civilização. Pois agora esses pilares – dentre os quais o núcleo familiar – estão sendo seriamente ameaçados de desaparecer. Aliás, a ameaça sintetiza bem o pensamento de Antonio Gramsci, aquele militante comunista italiano que, mesmo preso pelo governo fascista, escrevia cartas instruindo o partido como tomar conta do poder. Todas as modernas ações desenvolvidas pelo marxismo de hoje têm inspiração direta ou indireta nas ideias de Gramsci, considerado o maior gênio comunista, depois de Marx. Segundo esse suposto “gênio”,  o comunismo deve se instaurar nas sociedades, não mais pela força, mas, sim, utilizando meio menos agressivo, embora extremamente mais eficaz e também nocivo, que ele designou como “filosofia de práxis” – que de filosofia não tem nada, pois trata-se de um instrumento com objetivo de estabelecer nas sociedades, diz ele,  uma “cultura nova, criticando os costumes, os sentimentos e as ideologias expressas na história da literatura.”  E aduz ele: “A sociedade capitalista é imoral, enquanto a comunista é moral e plenamente humana e social.”

É possível que o capitalismo, na medida de suas práticas selvagens, seja realmente amoral, isso é inegável. Mas, um regime que impõe regras lesivas à moral, aos costumes da sociedade, legitimados por milênios de exercício, não há negar que é muito mais imoral – haja vista esse perjuro que os marxistas ou proto-maxistas querem nos impor, um verdadeiro insulto à civilização: o casamento entre iguais, dando acolhida a outras anomalias, como a troca de sexos, o homossexualismo, transformismos, lesbianismo, sodomia e afins.

Há propriedade, pois, nas palavras de Federico Cenci de que essa “teoria de gênero”, tão alardeada pelos esquerdistas, aqui e espalhados pelo mundo afora –  é um retorno, sim, à barbárie.

E para se ter ideia de como essa inovação vem atingindo as raias da insensatez – no Congresso Nacional tramita recente projeto-de-lei defendido pelos deputados Maria do Rosário e Jean Willes, propondo legalizar – pasmemo-nos todos – nada menos que o casamento entre humano e animal!

É o suprassumo da estupidez, que faria estremecer de vergonha Erasmo de Rotterdam com seu “Elogio à Loucura”.

CDL/Bsb. 8.06.15

 

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