sexta-feira, 22 de maio de 2015


             OS  QUE  NÃO  BEBEM  COMO  CÃES

 


Viceja em certos meios agnósticos e até circula entre  pessoas que se dizem gnósticas, a ideia ou concepção, um tanto quanto extravagante, de que as religiões no futuro terão desaparecido.  Aduzem que, para substituir o vazio deixado, uma única seita nossos pósteros haverão de aderir: o culto absoluta  à personalidade – cujo desvio pressupõe uma outra crença, esta inventada, de caráter inconsútil, que se diz espiritualista por  cultuar o além-túmulo.

O ser humano sob tal perspectiva se apartaria da realidade, coadunando-se com uma espécie de imanência transcendental, decorrendo dai o exercício de um materialismo disfarçado, com a idolatria ao morto, o mito do retorno à vida e outras excentricidades, que não contribuem absolutamente com nosso caminhar nesta vida. Conquanto haja outras correntes de pensamento que  se contrapõem a essa visão fantamasgórica, a verdade é que as duas, espiritualistas e materialistas, se afinam, uma ajudando a outra – tudo para reforçar o fim das religiões, cada qual fazendo cobro à sua tese. Em outras palavras, exterminar com a crença num Criador, como mantenedor do mundo por ele criado, trocando o que dizem ser um mito, por outro mito, o de que o ser homem, e só ele, é responsável por seu destino no mundo.

Ora, se se apegam a concepções de vivência em além-túmulo, fazendo com que o ser humano reviva mediante processos reencarnatórios, tais ideias só fazem estimular o ideal materialista de que, cada qual é responsável por seu destino, vivo ou morto. Dai serem prata da mesma moeda, farinha do mesmo saco, ideológico e contrário, portanto, à lídima doutrina filosófica dos Evangelhos.

O fim das religiões, como apregoam esses asseclas da desrazão, tem certa semelhança com o pensamento desvairado de Nietzsche, ao preconizar que “Deus estaria morto”,  de cuja afirmação é corolário o pensamento do economista americano de origem asiática, Francis Fukuyama, que, em 1985, declarou o fim da História.

Não há negar que tais assertivas, citadas assim levianamente, não têm crédito, são de fulgurância fugaz e falaz. Traduzem visão opaca e prevaricam quanto às verdades reveladas pela doutrina do Mestre do “Sermão da Montanha”. Observe-se com que maestria já nos ensinava no passado o sábio francês Michel de Montaigne(1533-1592): “O homem que não é nada, procura com sua fraqueza e incapacidade sondar os mistério de Deus, mas, ali,  nada ele encontra a que se apegar.”

O cristianismo – “A Religião do Homem”, como explicitou o filósofo paulista Mario Ferreira dos Santos – jamais há de desaparecer, porque se enraíza em verdades eternas. É tão forte, tão arraigada na consciência humana a centelha da religião, que nenhuma tempestade ideológica haverá de fazê-la, desaparecer, não só do mundo, como videira existencial, mas do próprio cérebro humano, em cujo lóbulo central se acha localizado, fato, inclusive, já provado cientificamente.

O que seria o mundo se não fosse a religião, uma vez que constitui o elo de ligação com a Divindade?

Como os seres teriam alcançado o progresso, inclusive o tecnológico, se tais atos não hajam encontrado a ressonância necessária advinda do espírito empreendedor, embebidos na força do personalismo e da compaixão, ambos originários do cristianismo, que proporcionou ao ser humano a dignidade capaz de, valorizando sua intuição, evoluir moral, social e economicamente? O contrário seria o ser humano retroceder ao caos.

Não há negar: sem religião o mundo retornaria à barbárie e a vida não passaria de uma trajetória sem sentido, vazia de eternidade.
CDL/Bsb, 23.05.15

 

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