quarta-feira, 25 de março de 2015





          PÁTRIA  EDUCADADORA?

 
 
 
 

 

O lema apregoado pela Presidente, em seu segundo mandato, tem sido a “PÁTRIA EDUCADORA”. O que  fica absolutamente claro é a falta de coerência da nossa governante – ou governanta, para rimar com presidenta – quanto às evidências comprobatórias dessa afirmação.

Senão vejamos, para sermos mais didáticos, uma vez que ainda há inteligência nessa parte do planeta. Artigo recente, o jornal O Globo noticia fatos concretos de corte no orçamento do Ministério da Educação, segundo o matutino – que por sinal não faz oposição ao governo por motivos óbvios, não revelados – da ordem de R$5,6 bilhões para uma verba orçamentária destinada ao órgão em 2015 de R$37,8, ou seja, uma poda no seu contingente financeiro

de 15%.

As consequências do que o governo denomina de “contingenciamento”, naturalmente decorrente dos ajustes fiscais impostos pela Fazenda, são calamitosos. Eis – segundo o noticiário:

- na UNB, paralização das obras do campus de Planaltina, em construção;

- na UFRRJ (universidade rural) faltam recursos para o bom funcionamento do campus universitário;

-  a Ufal, em Maceió, Universidade Federal de Alagoas, sofrerá corte drástico de 1/3 de seu orçamento;

-  Targino de Araújo Filho, Presidente da ANFITES,  órgão que coordena as instituições federais de ensino, cobra “coerência do discurso das autoridades em que a educação brasileira é posta como prioridade.”

E o contingenciamento continua a fazer estragos. O MEC deixa de pagar 10% da verba deste ano, destinada ao Programa Nacional de Livros Didáticos (PNLD). E tem mais: o mesmo MEC cortou 64,6%, cerca de 7.109 bolsas, das 11.000 previstas para o presente ano do Programa “Jovens Talentos Para Ciência”, programa este que se destina a estudantes de graduação, visando a incentivar a iniciação científica.

Que “pátria educadora” é esta tão apregoada pelo Governo que, ao invés de valorizar e fomentar a educação, corta as verbas destinadas as atividades ligadas à educação? Pátria educadora ou deseducadora? Então tudo não passa de um blefe, para enganar os incautos? Cortam-se verbas à educação, mas aumentam-se vergonhosamente os numerários dos parlamentares?

Enquanto isso, os burocratas da corrupção assaltam as finanças das estatais, através de uma rede gigantesca de roubalheira, denegrindo não só a entidade atacada, mas a própria Pátria, a dignidade da Pátria, a imagem da Pátria. E ainda vêm com o descaramento de arrotar que somos uma Pátria Educadora. Ou Pátria Vilipendiada?

E lembrar que no século XIX, Machado de Assis, nosso maior expoente literário, preconizava, para gáudio  da literatura e engrandecimento de seus escritores, a criação, entre nós, da República das Letras”.
CDL/BSB, 25.03.15

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