segunda-feira, 23 de janeiro de 2017



            LA LA LAND – DANÇANDO NAS ESTRELAS



    Marco Tulio Cícero (103 a 43 a.C) em oração famosa teria dito no Senado Romano, quando denunciou os faustos do Império à época: “Ó tempora, ó mores!” ó tempos, ó costumes, vaticinou na tribuna. Referia-se às prevaricações e a consequente ruina dos costumes.
       Imaginem se Cícero acordasse do túmulo da história e se deparasse repentinamente com o nosso mundo, esse tecnicismo louco, afogado em dúvidas e contradições, mais ou menos escatológicas, senão apocalípticas ou  preapocalípticas.
       E se se deparasse com nosso vilipendiado País, em meio a uma avalanche de fatos negativos que o assolam atualmente? Os  meios de comunicação entupidos de informações aterrorizantes, de tal ordem e monta que, para não ficarmos loucos, o melhor é desligar a TV, não escutar rádio e não ler jornais. Esses, os velhos noticiosos de outrora, agora são meios de putrefação, mortes, violência, suicídios, enquanto isso as novelas da Globo expõem o que há de  pior na sociedade, cenas de intrigas, ódio,  pai contra filho, filho contra pai, cenas de sexo implícito e explícitos, uma verdadeira vergonha nacional, que eles apelidam de realidade. Desgraças e mais desgraças. E agora, muito mais: atos de vandalismo, roubo e desonestidade de políticos e empresários –  sem falar no cenário ao vivo que a TV nos impinge diariamente sobre a situação atual dos presídios brasileiros – verdadeiras escolas do crime, facções criminosas se enfrentando em verdadeira carnificina. E o Governo inerte, incapacitado de agir.
     Meu Deus! O que fazer, como coabitar em tal pocilga humana?
    Coitado de nosso redivivo Cícero — certamente teria um ataque cardíaco fulminante e voltaria para seu túmulo secular.
Então, eis que as portas do paraíso parecem se abrir. Um repentino momento de arte e beleza. Em meio ao pântano sempre há de nascer uma flor, a flor do pântano. É o filme recente LA LA LAND. Sim, verdadeiro refrigério à alma, ao coração. A película já arrebatou 7 prêmios no Festival Globo de Ouro, porta aberta para o Óscar.
Dois artistas, quase desconhecidos do grande público – Emma Stone, no papel de Mia e Ryan Gosling, incorporando Sebastian, protagonizam ambos uma grande história de amor, ao som de uma belíssima canção “The City of Stars”.
     O roteiro não é original. Inúmeros filmes já versaram sobre o tema, a paixão de duas criaturas, neste, Mia e Sebastian decidem  compartilhar do mesmo sonho: ela, ser uma grande atriz de teatro: ele resgatar o espírito jazzístico e fundar sua própria banda em bar onde só se toque jazz tradicional.
     Ora, pois, mas o que nos encanta mesmo na película, realizada pelo  cineasta americano Damien Chagalle de apenas 31 anos, não é propriamente sua trama, bem urdida por sinal. O que realmente nos arrebata, surpresando nossos entediados corações são as cenas de danças, o encanto das tomadas absolutamente geniais. No Planetário de Los Angeles, o “Griffith Observatory”, Mia – a garota de grandes olhos, eleva-se de repente às estrelas onde graciosamente dança sob os acordes da canção “City of Stars”, Cidade das Estrelas, alusão a Los Angeles e Hollywood. O casal passa a cabriolar nas nuvens sob a cintilante abóboda celeste.
     Amigos e Irmãos, eu vos peço, não percam essa oportunidade, corram a assistir LA LA LAND – é um filme simplesmente fantástico, maravilhoso. Eleva-nos a alma. É a apologia ao amor, alento de esperança, como  a nos dizer que o amor ainda existe e que é  o sonho que nos resgata, nós, a humanidade por esses tempos e dias, afogada em angústia e desespero.
     Oxalá  tenhamos mais filmes assim, histórias de amor, da realização de um sonho — preencheria nossos olhos de beleza e nos salvaria do ódio e da impudicícia que vem dominando os humanos.
     CDL/bsb 23/01/2017


segunda-feira, 19 de dezembro de 2016






LIBELO  NATALINO

                                 Murilo Moreira Veras
Os caminhos deste mundo são cada vez mais difíceis
                                                     e imperfeitos.
– Que este Natal nos indique o melhor caminho.
A Natureza responde violentamente quando agredida
                                                   pelos humanos.
– Que este Natal propicie sempre a harmonia entre todos
                                                os seres e criaturas.
Em nosso País impera o desacerto e a intemperança.
– Que o Natal nos dê mais equilíbrio no fazer e conviver.
Os brasileiros  nos comprazemos hoje em combater
                                                   o mau combate.
– Que o Natal nos ensine a realeza da luta, quando justa
                                                   for sua razão de ser.
Injustiça e ideologia permeiam nossos campos de ação.
– Que o Natal dê às pessoas mais tirocínio, liberdade
                                                   e compreensão.
Os corações humanos se desumanizam cada vez mais
                                           de ódio contaminados.
– Que o Natal, em vez do rancor, lhes infunda equilíbrio,
                                            doçura e união.



Os juízos são cada vez mais incertos,  desconexos
                                             e impudicos.
– Que o Natal nos advirta contra os desvios de sermos,
                                            injustos no conviver.
Intransigência, divergências, violência e improbidade: eis
                                      os parâmetros aéticos de hoje.
– Que o Natal prodigalize mais certeza e tirocínio: não somos
                                        trogloditas,  perdidos na escuridão.

Eis em parcas linhas o nosso libelo natalino mais reparatório:
se atendido, o mundo talvez fique melhor, um lugar ainda possível,
                                            onde se possa viver e amar.

                                                               Bsb, 20.12.16
                               
                                       
   



                                                         



                                



sexta-feira, 25 de novembro de 2016











      MISERICÓRDIA:   SUA DISPENSA

                     NO MUNDO


       Misericórdia tem sido a palavra mais utilizada no momento, pelo menos no âmbito da Igreja Católica. Não somos teólogo, longe de nós  querer confrontar os domínios do Direito Canônico e interferir na doutrina da Igreja, com cujos ensinamentos somos acordes, como seguidores de sua apologética.
                 Também não nos atrevemos a polemizar com as Escrituras, ousar discutir  suas mensagens, anátemas e admoestações, espécie de debate aberto de confrontos entre capítulos e versículos das epístolas apostólicas, às vezes na afoiteza de ali encontrar ganho para causa própria – isto já o fazem esses decoradores evangélicos, sempre apressados a aprovar suas próprias teses, em apoio às inúmeras seitas a que pertencem.
             A misericórdia – todos nós sabemos – é um dos pilares em que está assente toda a apologética cristã, a partir dos ensinamentos dos Padres da Igreja, Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, notadamente. Parece-nos impossível apartar Deus da ideia de misericórdia, a imanência do mundo não ser envolvida pela transcendência, isto é, a manifestação divina ser prescindida no trilhar progressivo dos homens,  principalmente quando essa manifestação se torna eterna dispensadora da graça,  a santificante no ser humano, inclusive.
                Mas, em todo esse cenário em favor da misericórdia, reflexões de angústia nos acodem. A prática da misericórdia é possível e desejável num mundo contaminado de violência e contradições? Como ser misericordioso e praticar essa virtude crística em situações e ambientes, onde os protagonistas são pessoas desonestas, assassinas, corruptas, com comportamentos aéticos, quando não imorais?
               De outra parte, ter misericórdia é o mesmo que perdoar ou quando perdoamos estamos sendo misericordiosos? A dispensa da misericórdia, como piedade ou benevolência, implica apagar o pecado do pecador, portanto do injusto e infiel a Deus? Fazer justiça visando equalizar direitos ofendidos ou solapados, não colide, nessa circunstância, com a misericórdia, que parece se confundir com benevolência gratuita?
                Tudo isto nos vem à baila e de forma muito reflexiva, até mesmo como contradita filosófica, justo nesses dias em que nosso Papa Francisco esparge na mídia – e esta extrapola inescrupulosamente pelo mundo afora – uma série de medidas e manifestações pessoais objetivando amenizar o pecado do aborto e de outros comportamentos pessoais conflitantes com o cânone clássico da Igreja Católica, com a simples justificativa de que tais práticas nocivas serão apagadas se, por intermédio da outorga da misericórdia por um padre, a pecadora ou o pecador se arrependa.

                   Ora, se o Mestre Jesus, com toda sua dimensão divina e      mística , perdoou a adúltera cujo pecado de adultério não implica o extermínio do direito à vida, a medida parece não se aplicar, logicamente, a quem resolve eliminar  uma vida, e vida indefesa, em que se configura o aborto. Além disso, não nos esqueçamos de que o Mestre, no caso da adúltera,  foi peremptório: ... “Vai e não peques mais!”.(Jo.8, 1-11).
                   E não nos esqueçamos, ainda, que a misericórdia,  assim outorgada, mesmo sob vigilância do sacerdote, será que sua prática não tende a  ser banalizada?
O assunto é controverso, há ditas e contraditas, inda mais em meio ao torvelinho em que tem se transformado os relacionamentos humanos, a sociedade em mudança contínua, o mundo sob  pressão em todos os sentidos – haja misericórdia para tanta discórdia.


CDL/Bsb., 25.11.16

quinta-feira, 27 de outubro de 2016









GLOBALIZAÇÃO : RUMO AO GOVERNO MUNDIAL
                       




       A globalização tem sido assunto permanente nos tempos atuais, implicando pros e contras quanto aos efeitos produzíveis e produzidos na evolução das Nações. De certo modo, porfia com outros não menos ruidosos, ou ruinosos, política, corrupção, violência e sexo nas novelas de TV.
Na verdade, o noticiário brasileiro é o que nos impinge todo santo dia, de forma impiedosa e massacrante. De tal modo que já nos acostumamos a conviver com a desgraça, revoltas nas penitenciárias, assassinatos em escolas protagonizados por alunos, estupros coletivos – isto quando não nos mostra ao vivo os autores denunciados de corrupção, lavagem de dinheiro e falcatruas financeiras, envolvendo políticos e empreiteiros. É assim a rotina da vida no nosso País. Entre nós, não é o ladrão de galinha,  o mequetrefe  miserável que surrupia, às vezes por necessidade, algum produto no  supermercado, que desfalca o erário público, mas os políticos oportunistas, os empresários desonestos, os quais, aliam-se para saquear os cofres públicos, sem nenhum pejo. Esses têm as consciências totalmente empedernidas, querem é se locupletarem, engordarem os depósitos em paraísos fiscais e proverem de luxo seus familiares, principalmente suas caras-metades, à forra nas compras principescas em Paris, Londres, Orlando e outros paraísos de consumo, praias, veraneios, Dubai e que tais.
Assim é que certa filósofa tupiniquim, a guisa de culpabilizar a classe média, teria se saído com essa: “Eu odeio a classe média!”
Mas não será essa mesma classe média, alta ou baixa, que faz loas à globalização e outras falácias como o aquecimento global, o efeito malthusiano da fome global decorrente do aumento populacional, as campanhas maciças do fator abortivo, a universalização da Amazônia, a sujeição das pessoas a novos paradigmas, seja de ordem social, política, sexual  ou religiosa, o exemplário é inesgotável pelo número de ongs, fóruns, seitas, organizações oficiais e para oficiais proliferantes planeta afora, o Brasil verdadeiro campo minado dessas entidades, muitas marginais e inúteis?
Entrementes, com sua panaceia de salvação extraterritorial,  será que, na realidade, a globalização não esconde perigo ainda maior ao se tornar veículo rápido e eficaz de propagação de ideologias espúrias – como o neossocialismo, por exemplo, com seu falso perfil democrático, em favor da revolução social e cultural maquiada,  mas a rigor não passando de fascismo? Que o diga os livros panfletários do economista Piquety com suas pesquisas bombásticas contra o capitalismo e neocapitalismo – há gente que acredita em probabilística!
Não há negar: a globalização tem seus pros e contras, moeda de de duas faces. O fenômeno não é absolutamente novo. O mundo, em termos de evolução e progresso deve à globalização. Não foi atoa que Vasco da Gama descobriu o caminho para as Índias Ocidentais e revolucionou a navegação. Os portugueses medievais deflagraram a instituição dos Descobrimentos e colonizaram  o Brasil. Não fora a visão ecumênica de D. João VI com a abertura dos portos da então colônia brasileira, não ousaríamos alcançar o nível de exportação e credibilidade de nosso comércio exterior atual.
Mas, isto não justifica a erosão que a globalização vem causando ao mundo, às Nações, no sentido geopolítico, ou seja, dos danos que dela resultam às culturas originárias de cada País, aos pleitos nacionalistas, à ética e dignidade dos cidadãos, suas pretensões patrióticas – tudo em que o fenômeno de equalização mundial implica, de forma inexorável, impondo a igualdade aos desiguais e a desigualdade aos iguais, o que equivale dizer, miserabilizar o mundo por baixo, num verdadeiro furor darwiniano de que se salve o mais forte e apto à sobrevivência.
Concluindo nossa reflexão a respeito de tão palpitante tema, atual, controverso e não menos enigmático,  vêm-nos à baila a vetusta figura recriada por Thomas Hobbes (1588-1679) do Leviatã, o estado absoluto, o grande salvador, o mesmo por sinal retratado por Aldous Huxley no seu “Maravilhoso Mundo Novo” – o Grande Irmão, provedor, da sociedade, da vida, do amor, do sexo e certamente do que vamos fazer, comer e pensar hoje e amanhã, só  que agora é tudo globalizado.
Quem sobreviver,  comprovará.
CDL/Bsb, 28.10.16